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Irão: Embaixador chinês responsabiliza EUA pela crise nuclear

A China acusou os Estados Unidos de terem desencadeado a atual crise nuclear iraniana ao abandonarem o acordo de 2015 sobre o programa nuclear de Teerão

Lusa

O embaixador chinês junto da Organização das Nações Unidas (ONU), Fu Cong, acusou hoje, 13 de março, os Estados Unidos (EUA) de desencadearem a crise nuclear iraniana ao retirarem-se unilateralmente do acordo internacional sobre o programa nuclear de Teerão em 2018.

As acusações foram deixadas numa reunião do Conselho de Segurança da ONU convocada pelos EUA para abordar o trabalho do Comité de Sanções ao Irão, mas que acabou marcada pela tentativa da China e da Rússia de bloquear a realização da mesma.

“Quero realçar que foram precisamente os Estados Unidos que se retiraram unilateralmente do Plano de Ação Conjunto Global [JCPOA, acordo nuclear firmado em 2015], o que desencadeou a crise nuclear iraniana.”, afirmou o diplomata chinês.

“Foram também os Estados Unidos que, em total desrespeito pela sua própria credibilidade, em duas ocasiões se uniram a Israel e recorreram ao uso flagrante da força contra o Irão durante o processo de negociação, o que tornou os esforços diplomáticos inúteis”, acrescentou.

Os Estados Unidos, “enquanto instigadores da crise nuclear iraniana, violam o direito internacional e os propósitos e princípios da Carta da ONU”, frisou Fu Cong, condenando as ações norte-americanas.

O JCPOA, firmado em julho de 2015 em Viena, é um acordo nuclear entre o Irão e o grupo P5+1 (EUA, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha) juntamente com a União Europeia. O objetivo foi garantir a natureza exclusivamente pacífica do programa nuclear iraniano, limitando o enriquecimento de urânio em troca da suspensão de sanções económicas.

Em maio de 2018, o Presidente norte-americano, Donald Trump, durante o seu primeiro mandato na Casa Branca, retirou os EUA do acordo e reimpôs sanções ao regime iraniano. Na sessão de hoje no Conselho de Segurança, Pequim acusou ainda Washington de se juntar a Israel em ações militares agressivas antes da conclusão das negociações nucleares.

Condenando estas ações, Fu Cong instou os Estados Unidos a inverterem a sua posição e a procurarem a diplomacia. Pediu ainda aos países europeus que “cessem de atiçar as chamas” da guerra e alertou contra o uso de sanções para promover interesses políticos restritos.

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Por sua vez, o embaixador norte-americano junto da ONU, Mike Waltz, acusou Moscovo e Pequim de tentarem proteger o Irão e, assim, manterem a cooperação em defesa que agora está novamente proibida.

“Ambos os países mantêm laços comerciais militares. Em 2022, a Rússia começou a comprar drones iranianos, em violação à Resolução 2231 [do Conselho de Segurança] (…). A Rússia também adquiriu mísseis balísticos de curto alcance do Irão e forneceu helicópteros de ataque ao país no início deste ano”, disse.

“A realidade é que a Rússia e a China não querem este Comité [de Sanções em relação ao Irão] porque querem continuar a proteger o seu parceiro, o Irão”, acrescentou Waltz.

O embaixador norte-americano acusou Teerão de manter uma postura desafiadora, argumentando que “é o único Estado, o único no mundo, sem armas nucleares, a ter produzido e acumulado urânio enriquecido a até 60%”. Acrescentou que o país se recusa a fornecer à Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) informações atualizadas ou acesso a esse ‘stock’ de urânio altamente enriquecido.

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O Irão é legalmente obrigado a cooperar com a AIEA ao abrigo do Tratado de Não Proliferação Nuclear. No entanto, ainda não concedeu aos inspetores da agência acesso aos locais nucleares afetados pela guerra de 12 dias com Israel em junho passado.

No ano passado, a ONU voltou a impor sanções ao Irão através do chamado mecanismo de ‘snapback’ previsto no acordo nuclear de 2015, provocando uma reação de indignação de Teerão, que suspendeu a aplicação do acordo. O mecanismo de ‘snapback’ reativou seis resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre o programa nuclear e de mísseis balísticos do Irão, restabeleceu sanções económicas e reinstaurou a suspensão de todo o enriquecimento de urânio.

O Irão tem insistido que o programa é pacífico, mas a AIEA e países ocidentais afirmam que Teerão manteve um programa nuclear militar organizado até 2003.

Ainda na reunião de hoje, o Reino Unido – que, juntamente com a França e a Alemanha, ativou o mecanismo de ‘snapback’ – acusou o Irão de “repetidamente não agir de boa-fé para atender às preocupações internacionais”. O Reino Unido também defendeu a necessidade de constituir, sem demora, um Painel de Peritos para investigar de forma independente as alegadas violações das sanções ao Irão.

“Apelamos aos Estados-membros que procuraram contornar ou minar as sanções da ONU restabelecidas ao abrigo do mecanismo de ‘snapback’ para que cessem imediatamente essa prática. Essa abordagem só encoraja o Irão”, defendeu o britânico James Kariuki.

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