No início da intervenção, António José Seguro felicitou os presentes e convidados e assumiu a “honra e responsabilidade de servir Portugal”. Citando Jorge de Sena, “Portugal é feito dos que partem e dos que ficam”, dirigiu-se também aos portugueses na diáspora e agradeceu ao seu antecessor, Marcelo Rebelo de Sousa, “pela sua dedicação a Portugal”.
O Presidente evocou ainda “a memória de Mário Soares e Jorge Sampaio”, considerando o seu legado “um dos grandes ativos da nossa democracia”. Saudou o rei de Espanha, Felipe VI, sublinhando que a relação entre Portugal e Espanha “é a prova de que é possível existirem relações duradouras”, e cumprimentou os presidentes de Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, destacando as “aspirações partilhadas na comunidade de língua portuguesa”.
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Seguro deixou também uma “saudação especial aos Capitães de Abril, que devolveram a democracia ao povo português”, antes de abordar o contexto internacional. Citando Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem”, assinalou o regresso da guerra ao continente europeu e defendeu que esta realidade “exige mais rigor e empenhamento de todos”.
No plano interno, o Presidente apontou “problemas estruturais” da sociedade portuguesa e referiu o “esforço hercúleo de recuperação” das zonas afetadas pelas recentes tempestades, sobretudo no centro do país. Garantiu que tudo fará para “estancar o frenesim eleitoral”, defendendo a estabilidade democrática. “Após quatro idas às urnas em apenas nove meses, abre-se um ciclo de estabilidade”, afirmou.

Lisboa,09/03/2026 – Tomada de posse do novo Presidente da República, António José Seguro, em Lisboa.
(Mário Vasa)
Durante o discurso, voltou a destacar áreas que marcaram a sua campanha presidencial, como a saúde e a habitação, e alertou que “cuidar da democracia tornou-se, nos nossos tempos, uma tarefa urgente”. No plano externo, afirmou que Portugal, “multilateralista por vocação”, continuará a ouvir todos os parceiros internacionais e defendeu que o país “precisa de uma melhor Europa”, prometendo ser exigente com os atores políticos e atento às “opiniões plurais dos portugueses”.
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O chefe de Estado deixou ainda palavras de agradecimento às Forças Armadas pelo seu contributo para a defesa da paz e abordou a questão da organização territorial do país, afirmando que “Portugal continua a apresentar desequilíbrios regionais” e que “o caminho da regionalização merece reflexão e decisões futuras”.
No encerramento, António José Seguro afirmou que “um tempo novo começa agora”, apelou ao abandono da nostalgia e lançou uma mensagem de esperança. “Este é o momento de perdermos o medo e erguermos a esperança. Viva Portugal!”. A intervenção foi recebida com aplausos de pé, seguindo-se o encerramento da sessão pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, com a entoação do Hino Nacional.