O colapso da antiga ponte, que ligava Entre‑os‑Rios (Penafiel) e Castelo de Paiva (Aveiro), aconteceu num período de chuva intensa e cheias no rio, num dos acidentes rodoviários mais graves da história recente de Portugal.
Até hoje, apenas 23 dos 59 corpos foram recuperados, deixando 36 famílias sem despedida física dos seus entes queridos, o que, segundo especialistas em luto, tem dificultado o processo de encerramento emocional de muitos sobreviventes e familiares.
Para assinalar o 25.º aniversário, vários municípios e associações estão a promover um programa evocativo com iniciativas que se estendem até 22 de março e visam honrar a memória das vítimas, prestar apoio às famílias e reforçar a reflexão sobre o impacto daquela noite fatídica.
Em Castelo de Paiva, a Associação dos Familiares das Vítimas da Tragédia organizou uma gala solidária, que deu início às homenagens em janeiro, e prepara agora momentos de homenagem, como uma missa, o lançamento de flores no rio e a inauguração de um novo memorial a 4 de março.
O presidente da associação, Augusto Moreira, que perdeu membros da família no desastre, lembra ao PLATAFORMA que muitas vidas “foram totalmente destabilizadas” e que ainda hoje há quem necessite de apoio psicológico e psiquiátrico. “Infelizmente temos situações que se agravaram com doenças graves e vidas que nunca mais foram recuperadas”, afirmou, destacando a importância de manter viva a memória da tragédia.
Outro ex‑autarca local, Paulo Teixeira, que era presidente da câmara municipal na altura do acidente, afirmou que o impacto daquele dia permanece “para sempre” na sua vida e na comunidade. “Passo todos os dias na ponte reconstruída… ainda sinto o peso da tragédia, na qual morreram 59 pessoas. As nossas vidas mudaram”, declarou.
A queda da ponte de Entre‑os‑Rios marcou o país não apenas pela perda de vidas, mas também pelo debate sobre segurança de infraestruturas e pela resposta das autoridades na sequência do desastre, recordes lembram que o então ministro das Obras Públicas se demitiu após o acidente, que chocou Portugal inteiro.
Hoje, 25 anos depois, enquanto autarcas, familiares e cidadãos lembram as vítimas, a comunidade procura encontrar formas de transformar a dor em memória coletiva, preservando a história para as gerações mais jovens.