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Desafios e perspetivas: Voos diretos de Macau para a Europa

A ausência de voos diretos entre Macau e Lisboa continua a travar as ambições da região como plataforma sino-lusófona, num contexto de debate sobre a viabilidade comercial e o apoio público necessário

Plataforma com Macau News Agency

O deputado Ip Sio Kai voltou, em dezembro, a defender na Assembleia Legislativa de Macau a criação de voos diretos entre a região e Lisboa, durante o debate setorial sobre Transportes e Obras Públicas das Linhas de Acção Governativa para 2026.

Sio Kai arguiu que a ligação é estratégica para afirmar Macau como plataforma entre a China e Lisboa e que poderia aproximar a região com a Europa e o Brasil, enquanto o Governo respondeu que a viabilidade depende de critérios comerciais das companhias aéreas e exige uma análise abrangente de custos e procura.

Macau chegou a ter uma ligação aérea a Lisboa operada pela companhia portuguesa TAP Air Portugal entre 1996 e 1998, com duas frequências semanais, mas a operação registou prejuízos na ordem dos 200 milhões de patacas.

Especialistas assinalam que rotas intercontinentais com baixa frequência semanal enfrentam dificuldades de rentabilidade e defendem que seriam necessárias pelo menos cinco a seis ligações por semana para garantir sustentabilidade comercial.

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Outro obstáculo prende-se com a necessidade de escalas técnicas para abastecimento e aumento de passageiros, o que prolongaria o tempo de viagem e reduziria a competitividade face a voos com partida de outros aeroportos europeus para a região.

As atuais limitações do Aeroporto Internacional de Macau dificultam a operação de aeronaves de longo curso, apontando a futura expansão da infraestrutura como condição essencial para viabilizar rotas intercontinentais, sublinhou a investigadora da Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, Yile Chen.

A abertura de rotas intercontinentais poderia atrair turistas europeus e norte-americanos, bem como passageiros do interior da China que optem por viajar para esses destinos através da cidade, defendeu o investigador da Faculdade de Inovação e Design da Universidade da Cidade de Macau, Guan Shuoxun. Adicionou que, a curto prazo, serão mais viáveis soluções como acordos de partilha de voos com companhias estrangeiras.

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