Vini Jr queixou-se ao árbitro imediatamente após o golo decisivo, levando à ativação do protocolo antirracismo da UEFA e à interrupção do encontro durante cerca de 12 minutos. O episódio gerou tensão em campo e nas bancadas, num Estádio da Luz sob forte escrutínio internacional.
Horas depois do encontro, Gianluca Prestianni recorreu às redes sociais para negar as acusações. O jovem argentino assegurou que nunca proferiu qualquer insulto de cariz racial e afirmou que as suas palavras terão sido mal interpretadas no calor do jogo. O jogador disse ainda lamentar as ameaças recebidas após o apito final, reafirmando que “nunca foi racista” e que repudia qualquer forma de discriminação.
O Benfica, para já, não divulgou uma posição oficial detalhada, remetendo esclarecimentos para o relatório do árbitro e para a investigação em curso por parte da UEFA.
O caso rapidamente ultrapassou fronteiras e motivou reações de figuras históricas do futebol. Em comentário televisivo, Thierry Henry manifestou solidariedade com Vinícius Júnior, sublinhando que compreende a frustração do jogador do Real Madrid.
“Consigo identificar-me com o que o Vinícius está a viver. Passei por isso muitas vezes na minha carreira. Muitas vezes é a tua palavra contra a do outro”, afirmou o antigo internacional francês, acrescentando que o gesto de tapar a boca feito por Prestianni durante o lance levanta dúvidas que devem ser esclarecidas.
Henry defendeu ainda que, em situações desta gravidade, é fundamental que haja responsabilização clara: “Se nada aconteceu, então que seja dito de forma transparente.”
Leia mais Lei Vini Jr: Rio de Janeiro aprova medidas contra o racismo no futebol
Também Luisão, antigo capitão do Benfica, reagiu publicamente através das redes sociais, colocando-se do lado de Vinícius Júnior. O ex-defesa central mostrou-se “envergonhado” com o episódio e classificou o caso como um ato racista, apelando a que o clube e o futebol português estejam à altura dos seus valores históricos.
“A camisola do Benfica é muito grande. Racismo não pode ter lugar no futebol nem na sociedade”, escreveu Luisão, numa mensagem que gerou forte impacto entre adeptos e antigos jogadores.
A UEFA confirmou que está a analisar os relatórios oficiais do jogo e as imagens disponíveis. Caso se confirme a existência de insultos racistas, o processo disciplinar poderá resultar em sanções individuais e/ou coletivas.
Enquanto isso, o foco desportivo passa para a segunda mão da eliminatória, mas a polémica promete continuar a marcar a atualidade, num momento em que o futebol europeu enfrenta crescente pressão para combater eficazmente o racismo dentro e fora dos relvados.