A decisão foi confirmada à agência Lusa por fontes oficiais, que indicaram que a missão estava prevista permanecer no país até ao dia 21, mas Xanana Gusmão, Presidente da República de Timor-Leste, concordou em não prosseguir com a deslocação a Bissau. A missão, composta por cerca de 15 elementos de vários Estados-membros, tinha como objetivo contribuir para a estabilização política após o golpe de Estado ocorrido em novembro.
Na quarta-feira, o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou que os acontecimentos recentes demonstram que a Guiné-Bissau é um “Estado falhado”, defendendo a necessidade de reforçar o apoio internacional ao desenvolvimento da democracia e dos direitos humanos. O líder recordou ainda o apoio prestado por Timor-Leste após o golpe de 2012, nomeadamente na organização de processos eleitorais.
As declarações foram repudiadas pelo Governo guineense de transição. Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau considerou que as palavras de Gusmão revelam “falta de dignidade e de postura política e moral”, acrescentando que tanto o primeiro-ministro timorense como o Presidente José Ramos-Horta têm um historial de controvérsias públicas que fragilizam a autoridade com que se pronunciam sobre outros Estados.
Timor-Leste assumiu em dezembro a presidência da CPLP, retirada à Guiné-Bissau após o golpe de Estado de 26 de novembro, que depôs o então Presidente Umaro Sissoco Embaló e interrompeu o processo eleitoral, impedindo a divulgação dos resultados das eleições gerais realizadas a 23 de novembro. A missão agora cancelada seria chefiada pelo ministro da Defesa timorense, Donaciano Rosário Gomes, e integrava representantes de Angola, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.