A nova rutura ocorreu numa fase em que o sistema hidráulico do Mondego já se encontrava sob enorme pressão, com a barragem da Aguieira praticamente no limite da sua capacidade de armazenamento. O colapso do segundo dique veio agravar de forma súbita uma situação que já era considerada crítica, expondo zonas urbanas, infraestruturas vitais e milhares de pessoas a um risco iminente.
Fontes da Proteção Civil no terreno descrevem um cenário de grande instabilidade, com o rio a ganhar força e a ultrapassar pontos de contenção que, até agora, tinham conseguido resistir. “Estamos perante uma situação extremamente delicada. O comportamento do rio é imprevisível e a margem de segurança é mínima”, afirmou uma fonte operacional, sublinhando que todas as hipóteses estão em cima da mesa.
Na Baixa de Coimbra, o medo é palpável. Comerciantes e moradores recordam as cheias de finais da década de 1990, quando o Mondego invadiu ruas, lojas e habitações, deixando a cidade paralisada durante dias. “Isto faz-nos lembrar o pior. Se a água entra outra vez pela Baixa, as consequências serão devastadoras”, disse à Lusa um comerciante que já começou a retirar bens do interior da loja.
O agravamento da situação levou ao reforço dos meios de emergência, com equipas adicionais da Proteção Civil, bombeiros e forças de segurança mobilizadas para o acompanhamento permanente das margens do rio e para a eventual evacuação de populações em zonas de maior risco. As autoridades admitem que novas ordens de retirada preventiva podem ser emitidas a qualquer momento.
A rutura do segundo dique ocorre num contexto de caudais excecionais, alimentados por chuva persistente e pela descarga das barragens a montante, em Portugal e Espanha. Técnicos alertam que, se o nível do rio continuar a subir, Coimbra poderá enfrentar uma cheia com impactos comparáveis, ou mesmo superiores, aos registados há 25 anos.
O Governo acompanha a situação no terreno e garante que “todos os meios estão mobilizados”, mas reconhece que as próximas horas serão decisivas. “Estamos perante uma situação absolutamente anormal, marcada pela violência das águas”, admitiu um membro do Executivo, acrescentando que a prioridade é a proteção de vidas humanas.
Enquanto isso, a cidade espera. Com o Mondego fora de controlo e as defesas a cederem uma a uma, Coimbra enfrenta uma noite de angústia, com o fantasma de uma inundação histórica cada vez mais próximo.

