A Caritas Macau lançou, na quinta-feira, uma campanha de angariação de fundos em Macau para apoiar as populações afetadas pelas recentes tempestades em Portugal e Espanha, justificando a decisão com os laços históricos que unem a região chinesa a Portugal. Os donativos, que serão recolhidos ao longo de três meses posteriormente enviados para a Cáritas Portuguesa e a Cáritas Espanha, através de uma parceria já existente.
Em declarações à Lusa, o secretário-geral da Caritas Macau, Paul Pun, sublinhou a “ligação especial” entre Macau e Portugal, recordando que muitos residentes da região têm nacionalidade portuguesa ou mantêm relações próximas com cidadãos portugueses. “Os nossos colegas são portugueses, os nossos vizinhos são portugueses, os nossos parceiros são portugueses. Talvez os nossos professores sejam portugueses”, afirmou.
Vivem em Macau mais de 2200 pessoas nascidas em Portugal, segundo os Censos de 2021. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong indicava ainda a existência de cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.
Numa nota divulgada nas redes sociais, a Caritas Macau lamentou as “tempestades devastadoras” que causaram “inundações catastróficas” e deslizamentos de terras, com destruição de infraestruturas e habitações. A organização alertou que milhares de pessoas ficaram desalojadas e necessitam de apoio urgente, incluindo água potável, alimentos e cuidados médicos, advertindo que o processo de recuperação será prolongado.
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Paul Pun manifestou confiança na solidariedade da população de Macau, sobretudo numa altura em que se aproxima o Ano Novo Lunar, uma das principais celebrações do calendário chinês.
Em Portugal, a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta provocou 16 mortos, centenas de feridos e desalojados, além de extensos danos materiais. A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu enquanto reparava um telhado no concelho de Pombal e que viria a morrer nos Hospitais da Universidade de Coimbra.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram das mais afetadas, registando-se destruição de habitações e empresas, queda de árvores, cortes de energia, água e comunicações, bem como o encerramento de estradas, escolas e transportes. O Governo português prolongou a situação de calamidade em 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.