Segundo o advogado de defesa, Zhang Dongshuo, o Supremo Tribunal Popular da China revogou a sentença de pena capital e determinou a repetição do julgamento no Tribunal Popular Superior da província de Liaoning. Ainda não foi definida uma data para o novo julgamento. Schellenberg encontra-se detido desde 2014 na cidade chinesa de Dalian, no nordeste do país, por acusações de tráfico de droga, que sempre negou.
O caso tornou-se um dos principais pontos de tensão entre a China e o Canadá, sobretudo depois de, em janeiro de 2019, a justiça chinesa ter agravado a pena de Schellenberg de 15 anos de prisão para pena de morte, num novo julgamento realizado em apenas um dia. A decisão surgiu pouco depois da detenção, no Canadá, de Meng Wanzhou, diretora financeira da Huawei, o que provocou uma grave crise diplomática entre os dois países.
Essa crise agravou-se com a detenção, pela China, de dois cidadãos canadianos, Michael Spavor e Michael Kovrig, acusados de espionagem, num caso que Otava considerou uma retaliação política. Os três processos acabariam por conhecer desenvolvimentos positivos em 2021, com a libertação de Meng, Spavor e Kovrig.
A reversão da pena de morte agora decidida surge num contexto em que o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, procura reforçar os laços económicos com Pequim e diversificar os mercados de exportação do Canadá, num momento em que as relações comerciais com os Estados Unidos enfrentam novos desafios. O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Canadá afirmou que continuará a prestar apoio consular a Schellenberg e à sua família.