No primeiro dia de atividade no centro, a equipa portuguesa atendeu cerca de 120 deslocados, segundo dados da missão. O contingente integra a Força de Reação Imediata (FRI) enviada por Portugal no âmbito da operação “Kanimanbo” (obrigado, em língua nacional changana) e inclui um médico, duas enfermeiras, dois socorristas, dois militares de apoio de serviços e um médico veterinário, de acordo com as autoridades portuguesas.
Entre os deslocados está Cátia Venâncio, de 26 anos, que vive no centro há quase três semanas com 12 familiares, depois de as cheias terem destruído as habitações no bairro de origem, em Chókwè. A jovem realizou a primeira consulta médica desde que chegou ao centro, recebendo medicação e orientações clínicas, segundo o relato feito no local.
O centro de Chiaquelane concentra quase um terço do total de deslocados pelas cheias em Moçambique. O administrador do distrito de Chókwè, Narciso Nhamuhuco, afirmou que a chegada da equipa portuguesa representa um alívio adicional na resposta no terreno, sublinhando a importância do reforço de profissionais de saúde num contexto de forte pressão sobre os serviços locais.
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Na fila de atendimento encontrava-se também Rodrigues Cundane, de 25 anos, deslocado de Conhane, que vive separado da família noutra tenda do centro. O jovem relatou problemas respiratórios e destacou a importância do apoio médico prestado, num contexto em que as condições de vida no campo favorecem o surgimento de doenças, segundo descreveu.
A coordenação da equipa portuguesa no centro está a cargo do tenente-coronel Carlos Alonso, médico veterinário, responsável pelas áreas de segurança alimentar, qualidade da água, saneamento e desinfeção. O oficial explicou que a missão procura colmatar falhas identificadas no terreno, nomeadamente a escassez de medicamentos e de meios para tratamento, sobretudo em cuidados pediátricos.
Segundo o responsável, a equipa consegue assegurar consultas, tratamentos básicos e a dispensa de fármacos, incluindo alguns injetáveis, em articulação com as autoridades moçambicanas. O apoio sanitário foi identificado como uma das necessidades mais urgentes entre a população deslocada, num cenário marcado por perdas materiais significativas e vítimas mortais, de acordo com relatos recolhidos no local.