Segundo o advogado, a transferência aconteceu a partir da prisão de Alcoentre, também de alta segurança, e Machado encontra-se agora “fechado 22 horas por dia numa cela de oito metros quadrados”.
O alegado líder neonazi cumpre atualmente uma pena de quatro anos de prisão, resultante de duas condenações relacionadas com crimes de discriminação, incitamento ao ódio e violência. José Manuel Castro explicou que vai recorrer da transferência junto do Tribunal de Execução de Penas.
A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) declarou que não divulga publicamente os motivos de afetação de reclusos nem presta informações sobre cidadãos.
A transferência ocorre após buscas realizadas pela Polícia Judiciária (PJ) na cela de Machado em 20 de janeiro, no âmbito de uma operação que desmantelou o grupo 1143 e levou à detenção de 37 suspeitos. Na altura, a diretora da Unidade Nacional de Contraterrorismo, Patrícia Silveira, afirmou que foram apreendidos “elementos relevantes para a investigação”.
De acordo com o despacho de indiciação a que a Lusa teve acesso, o Ministério Público sustenta que, em novembro passado, Mário Machado terá planeado duas ações em 2026 com o objetivo de provocar reações negativas ou violentas da comunidade muçulmana em Portugal.
A primeira ação, prevista para fevereiro, consistia na divulgação de um vídeo junto da Comunicação Social e na rede social X, contendo uma tarja acusando Maomé de pedofilia — material que já foi apreendido pela PJ. A segunda, programada para Coimbra no Dia de Portugal, 10 de junho, passaria pela exibição de uma bandeira com a imagem do profeta islâmico com um turbante e uma bomba.
O despacho do Ministério Público enumera ainda cerca de uma dezena de ações do grupo 1143 desde fevereiro de 2024, dirigidas sobretudo contra imigrantes muçulmanos, envolvendo manifestações públicas, difusão de ideologia neonazi nas redes sociais e episódios de agressão, incluindo um incidente com dois cidadãos indianos numa área de serviço da A1, em 5 de outubro de 2025.
A investigação aponta para uma atividade organizada e continuada do grupo, com planos explícitos para provocar tensão social e alimentar discursos de ódio em Portugal.