Início » China acusa Japão de interferência ilegítima na questão de Taiwan

China acusa Japão de interferência ilegítima na questão de Taiwan

A China afirmou que o Japão não tem qualquer legitimidade histórica ou jurídica para se pronunciar sobre Taiwan, criticando declarações da primeira-ministra japonesa sobre um eventual cenário de crise no estreito

Plataforma

A posição foi expressa pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, que comentou declarações atribuídas à primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.

Segundo a responsável japonesa, uma crise em Taiwan poderia levar o Japão e os Estados Unidos a agir em conjunto para proteger os seus cidadãos, acrescentando que Tóquio não poderia abandonar o seu aliado histórico norte-americano.

“Revelam, mais uma vez, as ambições das forças de direita no Japão de provocar antagonismos, criar instabilidade e aproveitar a situação para impulsionar a remilitarização do país”, considerou Guo Jiakun, citado pela a agência Xinhua, desafiando a ordem internacional estabelecida no pós-guerra. O porta-voz apelou à comunidade internacional para que se mantenha vigilante e rejeite este tipo de posicionamento.

O responsável recordou que o Comunicado Conjunto Sino-Japonês de 1972 estabelece que o Governo do Japão reconhece a República Popular da China como o único governo legítimo da China e que Taiwan constitui uma parte inalienável do seu território. Nesse documento, acrescentou, Tóquio declarou compreender e respeitar plenamente esta posição, comprometendo-se a mantê-la nos termos da Proclamação de Potsdam.

Leia também: China opõe-se a acordos feitos entre os EUA e Taiwan

Guo sublinhou ainda que o Tratado de Paz e Amizade entre a China e o Japão, assinado em 1978 e ratificado pelos órgãos legislativos de ambos os países, reafirma que os princípios consagrados no comunicado de 1972 devem ser rigorosamente observados. Para Pequim, estes textos constituem compromissos políticos e obrigações legais que o Japão não pode negar.

O porta-voz referiu também instrumentos com valor jurídico internacional: como a Declaração do Cairo, a Proclamação de Potsdam e o Instrumento de Rendição do Japão, que determinam que os territórios ocupados pelo Japão durante a guerra, incluindo Taiwan, devem ser devolvidos à China. Acrescentou que a Constituição japonesa impõe restrições estritas às forças armadas, ao direito de beligerância e ao recurso à guerra.

Guo Jiakun acusou ainda o Japão de agir de forma contraditória ao invocar o respeito pelo direito internacional enquanto, simultaneamente, interfere nos assuntos internos da China e ameaça o uso da força. Recordou, por outro lado, os mais de 50 anos de domínio colonial japonês sobre Taiwan, período durante o qual, segundo Pequim, foram cometidos inúmeros crimes, gerando “graves responsabilidades históricas” perante o povo chinês.

O porta-voz concluiu reiterando que, “quer do ponto de vista histórico, quer jurídico”, o Japão não está em posição de interferir nos assuntos relacionados com Taiwan, instando Tóquio a respeitar os documentos políticos sino-japoneses e a pôr termo ao que classificou como atitudes imprudentes sobre a questão.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website