Início » Macau deve crescer até 3,5% em 2026 apesar de riscos globais

Macau deve crescer até 3,5% em 2026 apesar de riscos globais

A economia de Macau deverá crescer entre 2,5% e 3,5% em 2026, num cenário de expansão moderada sustentado pela tecnologia, pela recuperação do turismo e pela integração económica regional, segundo uma análise apresentada por Edward Chen, professor da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade de Hong Kong

Plataforma

A previsão foi avançada durante um fórum promovido pelo Banco Delta Ásia sobre as perspectivas da economia global e as tendências de investimento, onde o académico enquadrou a evolução da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) num contexto internacional marcado por incerteza, mas também por oportunidades para economias abertas e integradas.

De acordo com Chen, a trajectória de crescimento de Macau deverá acompanhar a de Hong Kong, beneficiando do desenvolvimento das indústrias associadas à Inteligência Artificial, do reforço do comércio regional e da retoma gradual do turismo, que continua a desempenhar um papel estrutural na economia local.

A transição para sectores de maior valor acrescentado é apontada como um factor essencial para aumentar a resiliência económica a médio prazo.

No plano macroeconómico, o economista projecta um crescimento da economia mundial entre 2,6% e 2,9% até 2026. Para a China continental, estima uma expansão entre 4% e 5%, enquanto a economia de Hong Kong deverá crescer entre 2,8% e 3,2%. Estes indicadores reflectem, segundo o académico, um processo de ajustamento gradual das economias asiáticas num contexto de fragmentação geopolítica e de transformação estrutural das cadeias de valor globais.

O professor identificou quatro grandes desafios que continuarão a influenciar o desempenho económico global: fragmentação geopolítica, incerteza económica, disrupção tecnológica e degradação ambiental. Apesar destes riscos, sublinhou que subsistem oportunidades relevantes, em particular para regiões com elevada conectividade económica e capacidade de adaptação tecnológica, como Macau.

Leia também: Economia de Macau em 2026 prevê-se estável e positiva

Neste enquadramento, o académico defendeu uma maior diversificação dos mercados externos, destacando os países de língua portuguesa e os Estados-Membros da ASEAN como destinos estratégicos para a expansão das empresas da região. Defendeu igualmente um papel mais activo das autoridades públicas na orientação do desenvolvimento económico e comercial, através de políticas que promovam a inovação e a integração regional.

A situação das pequenas e médias empresas (PME) mereceu também destaque no fórum. O presidente do Banco Delta Ásia, Stanley Au, alertou para as dificuldades persistentes enfrentadas pelas PME em Macau, num ambiente operacional que permanece desafiante.

Para mitigar estas pressões, o sector bancário local tem vindo a disponibilizar soluções de financiamento mais flexíveis, incluindo regimes temporários de pagamento apenas de juros, com o objectivo de aliviar os constrangimentos de liquidez.

A integração da Grande Baía foi apontada como um dos principais motores de crescimento a médio prazo. Anthony Neoh, conselheiro-chefe da Comissão Reguladora do Mercado de Valores Mobiliários da China, considerou que a crescente incerteza nos mercados financeiros dos Estados Unidos poderá favorecer a deslocação de capitais para regiões consideradas mais estáveis e com potencial tecnológico, como a China continental, Hong Kong e Macau.

Por fim, o economista Shusong Ba destacou o papel de Hong Kong e Macau na internacionalização do renminbi, defendendo que ambas as regiões têm condições para se afirmarem como centros de financiamento offshore e de conversão da moeda chinesa, reforçando a sua relevância no sistema financeiro regional.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!