A indignação cresce no país do Sudeste Asiático, regularmente atingido por tufões, desde que foi revelado um esquema de corrupção que envolve projetos fictícios de controlo de cheias, incluindo diques, que supostamente custaram aos filipinos centenas de milhões de dólares.
A petição, que conta com o apoio do bloco Makabayan, uma coligação de partidos de esquerda, acusa Marcos de trair a confiança pública ao lançar inúmeros projetos públicos destinados a redirecionar fundos para os seus aliados.
Uma cópia do documento foi entregue ao gabinete do secretário da Câmara dos Representantes, “de acordo com os regulamentos”, anunciaram hoje os autores da petição.
“O Presidente institucionalizou um mecanismo para desviar mais de 545,6 mil milhões de pesos filipinos (7,88 mil milhões de euros) de fundos destinados ao controlo de inundações, canalizando-os para amigos e empresários favoritos e transformando os cofres públicos num fundo de campanha privado para as eleições intercalares de 2025”, lê-se num resumo do documento consultado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Os autores da ação também acusam Ferdinand Marcos Jr. de solicitar subornos diretamente.
“O envolvimento do Presidente neste vasto sistema de corrupção torna a destituição necessária (…) O povo tem sido repetidamente e sistematicamente roubado”, afirma-se no resumo da denúncia.
Dennis Coronacion, diretor do departamento de Ciência Política da Universidade de Santo Tomas, em Manila, disse hoje à AFP que duvidava que o processo de ‘impeachment’ fosse bem-sucedido.
“Esta denúncia tem pouquíssimas chances de ser aprovada pela comissão de justiça da Câmara, muito menos em sessão plenária, porque o Presidente ainda conta com o apoio dos membros da Câmara dos Representantes”, declarou Coronacion.
De acordo com a Constituição das Filipinas, qualquer cidadão do arquipélago de 116 milhões de habitantes pode apresentar uma petição de destituição, desde que tenha o apoio de um dos mais de 300 membros da Câmara de Representantes.