Início » Cinema de Macau enfrenta quebra no apoio público e dificuldades de financiamento

Cinema de Macau enfrenta quebra no apoio público e dificuldades de financiamento

A indústria cinematográfica de Macau continua limitada pela reduzida dimensão do mercado e pela dificuldade em captar investimento, num contexto em que diminui o número de projectos aprovados para financiamento público, alertam profissionais do sector

Plataforma

A redução do apoio público é destacada por Chong Cho Kio, realizador e presidente da Associação da Indústria de Cinema de Macau, ao afirmar que, nos últimos anos, tem vindo a cair o número de projectos aprovados no âmbito dos planos de “Apoio à Produção Cinematográfica de Longas Metragens”.

Desde o lançamento do plano de apoio governamental em 2013, a maioria das longas-metragens produzidas em Macau recorreu a este mecanismo como principal motor de financiamento. “Há cada vez menos projectos aprovados, o que afeta a produção cinematográfica local”, sublinhou no programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, esta quarta-feira. O responsável apela a maior transparência nos critérios de rejeição e novas medidas de apoio ao sector.

As dificuldades de financiamento surgem num contexto já marcado pela reduzida dimensão do mercado, pelo baixo número de espectadores nas salas de cinema e pela escassez de investimento privado, factores que limitam o desenvolvimento e a expansão da indústria cinematográfica em Macau.

“Os projectos têm dificuldade em garantir investimento para além do apoio [financeiro] do Governo”, afirmou a realizadora Tracy Choi, também presente no programa matutino, reconhecendo ainda os progressos na qualidade das produções e no envolvimento de profissionais locais de cinema e televisão.

Choi referiu ainda que, embora existam parcerias entre o Governo e empresas de turismo e lazer para apoiar as indústrias culturais e criativas, os critérios de candidatura permanecem “pouco claros”. Algumas iniciativas viram recusados o patrocínio e a promoção por não serem reconhecidas como projectos culturais e criativos, situação que, segundo a realizadora, exige esclarecimentos por parte das autoridades e das empresas envolvidas.

Outro problema estrutural apontado prende-se à carência de empresas de pós-produção em Macau, nomeadamente nas áreas de edição, composição musical e mistura de som. A realizadora destacou igualmente as dificuldades na promoção e distribuição das obras, atribuídas à escala reduzida do mercado local e à fraca notoriedade do cinema de Macau junto do público. A divulgação internacional das produções locais, acrescentou, enfrenta obstáculos ainda maiores.

Apesar destes constrangimentos, Tracy Choi salientou sinais positivos no sector, com um aumento significativo da participação de profissionais locais em projectos cinematográficos e uma melhoria da qualidade das produções. Nos últimos anos, várias obras de Macau foram seleccionadas para festivais de cinema nacionais e internacionais, tendo algumas arrecadado prémios.

A formação de novos profissionais foi também abordada por Li Hao, professora assistente da Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. A docente indicou que a instituição oferece cursos nas áreas do cinema e da televisão, tendo alargado recentemente a formação às artes performativas. A maioria dos licenciados segue carreira no sector, embora alguns optem por integrar produções no interior da China.

Ainda assim, Li Hao reconheceu a existência de “concorrência feroz” e de “oportunidades locais limitadas”, defendendo a criação de programas de formação específicos para diferentes funções do cinema e da televisão, bem como uma maior promoção de Macau junto de equipas de produção estrangeiras, de modo a atrair projectos de filmagem para o território.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!