Para choque e indignação de muitos moradores e turistas, tornou-se habitual ver agentes da Guarda Nacional altamente armados a percorrer aqueles que são os lugares mais icónicos da capital dos Estados Unidos, como o National Mall, um amplo parque onde estão localizados monumentos como o Lincoln Memorial ou o Washington Monument.
“É triste trazer as crianças a passear neste relvado, passear de bicicleta, e ver agentes com espingardas na mão. Era suposto ser um lugar agradável, familiar, mas todas estas armas tornam o ambiente mais hostil”, disse à agência Lusa Candice, residente na área de Washington.
No verão de 2025, Donald Trump enviou para Washington efetivos da Guarda Nacional e do FBI, a polícia federal, alegando que as autoridades da capital norte-americana não conseguiam lidar com a criminalidade. Neste momento, cerca de 2.500 agentes da Guarda Nacional, uma unidade de reserva militar dos Estados Unidos, permanecem destacados na capital federal.
A somar à crescente militarização da cidade, justificada por Trump com um alegado clima de “crime descontrolado”, residentes e visitantes também se têm mostrado cada vez mais frustrados com o aumento dos gradeamentos e outras barreiras físicas de proteção que impedem a aproximação a locais como a Casa Branca ou o Capitólio, sede do Congresso norte-americano.

O magnata republicano tem promovido mudanças drásticas no complexo histórico da Casa Branca, mudou o nome do “Kennedy Center” para “Trump-Kennedy Center” e assumiu o controlo do centro de artes cénicas do distrito, além de tentar ditar o que deve ser exibido nos museus nacionais. (AFP)
Barreiras que também limitam as rotinas de deslocação pela cidade. “Já estamos a ficar muito acostumados a ver gradeamentos, uma coisa que não existia antes. Por exemplo, não nos podemos aproximar normalmente da Casa Branca. Duas ruas antes já está tudo fechado”, criticou o luso-americano Frank Ferreira, que vive nos arredores de Washington.
“Este Governo está a tentar normalizar [a militarização da cidade]. (…) Portanto, sim, estamos a ficar mais acostumados a ver as tropas como uma coisa normal. E nada disto é normal numa democracia”, acrescentou o luso-americano, também em declarações à Lusa.
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Paul, um morador de Nova Iorque que visita Washington todos os anos, admitiu à Lusa que não o incomoda ver os agentes armados na rua, até porque se sente “mais seguro” assim, mas não aprecia o facto de o crescente gradeamento o impedir de se aproximar de edifícios que gostaria de ver de perto.
Desde que tomou posse para um segundo mandato, em 20 de janeiro de 2025, Donald Trump tem tentado formatar Washington – e a Casa Branca – à sua imagem.
O magnata republicano tem promovido mudanças drásticas no complexo histórico da Casa Branca, mudou o nome do “Kennedy Center” para “Trump-Kennedy Center” e assumiu o controlo do centro de artes cénicas do distrito, além de tentar ditar o que deve ser exibido nos museus nacionais.
Por toda a cidade, é possível ver bandeiras gigantes com o rosto e nome de Donald Trump estampados e pendurados em prédios governamentais, naquilo que alguns críticos chamam de “Trumpização” da capital. O nome do Presidente passou também a estar inscrito nas fachadas de vários edifícios da cidade.
“O que queremos fazer é tornar Washington na maior, mais bela e mais segura capital do mundo, e isso vai acontecer”, declarou Trump à comunicação social no verão passado.
No centro do ambicioso plano do magnata republicano para revitalizar a capital está um novo salão de baile na Casa Branca – projeto avaliado em 400 milhões de dólares (cerca de 343 milhões de euros) – e que deverá ser pago com doações.
Apesar da tentativa de Donald Trump de reformar a capital dos Estados Unidos, é na sua mansão em Mar-a-Lago, na Florida, que grandes decisões governamentais têm sido tomadas e onde o governante tem passado longos períodos.
A propriedade passou de um retiro social e pessoal para aquilo que alguns analistas passaram a chamar de “War-a-Lago”, um centro de comando improvisado para operações militares de alto risco.

Entrada dos fundos da propriedade Mar-a-Lago do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Palm Beach, Flórida. Fotografia de arquivo, tirada em 27 de novembro de 2016. (Foto de MANDEL NGAN / AFP)
Em 03 de janeiro deste ano, Trump anunciou em Mar-a-Lago que as forças norte-americanas tinham capturado o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher em Caracas.
Mas durante 2025, foram várias as ocasiões em que Trump organizou cimeiras e reuniões de alto nível na sua mansão para promover a sua “agenda de paz”.
Lá manteve reuniões com o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, e com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para discutir o fim dos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente.
Com o arranque do segundo ano do mandato de Donald Trump como 47.º presidente dos Estados Unidos, vários analistas acreditam que Mar-a-Lago continuará a ter esse estatuto e a ser palco das decisões da administração norte-americana.