Na carta, obtida pela imprensa internacional e compartilhada com embaixadores europeus, Trump escreve que, “considerando que o seu país decidiu não me atribuir o Prémio Nobel da Paz por ter ‘parado oito guerras PLUS’, já não sinto a obrigação de pensar exclusivamente na paz, embora esta continue a ser predominante, mas posso agora pensar no que é ‘bom e adequado para os Estados Unidos da América’.”
Trump prossegue no texto, ligando a sua nova postura ao seu plano sobre a Gronelândia — território autónomo da Dinamarca no Ártico que tem sido objecto de forte pressão diplomática por parte dos Estados Unidos nas últimas semanas — e argumentando que “o mundo não estará seguro a menos que tenhamos controlo completo e total da Gronelândia”.
O chefe do Executivo norte-americano também criticou a capacidade da Dinamarca para proteger o território do que considera “ameaças” da Rússia e da China e questionou as bases históricas do direito dinamarquês sobre a ilha.
A Noruega respondeu, através do primeiro-ministro Støre, lembrando que a atribuição do Prémio Nobel da Paz não é uma prerrogativa do Governo norueguês, mas sim de um comité independente sediado em Oslo — algo que tem sido reiterado pelas autoridades do país.
A declaração de Trump representa uma rara e notória ligação entre um prémio internacional de paz e a política externa dos Estados Unidos, numa altura em que as tensões entre Washington e aliados europeus estão elevados devido às ameaças de tarifas e à disputa sobre o futuro da Gronelândia.