Nas últimas 48 horas, a Casa Branca divulgou várias nomeações e convites para o novo órgão, entre os quais se destacam o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, o presidente do Egito, Abdel Fatah al-Sisi, o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair e o presidente da Argentina, Javier Milei. O governo israelita afirmou que algumas destas escolhas “não foram coordenadas com Israel e são contrárias à sua política”, sem revelar quais os nomes que geraram a discordância.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, pediu esclarecimentos ao enviar o ministro dos Negócios Estrangeiros para contactar o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, numa tentativa de obter mais informação sobre a composição do conselho e as funções que serão atribuídas a cada membro.
O “Conselho da Paz”, descrito por Donald Trump como “o maior e mais prestigiado conselho alguma vez reunido”, insere-se num plano em 20 pontos apresentado pelo antigo presidente norte-americano para pôr fim à guerra em Gaza. A proposta prevê a substituição temporária do Hamas na administração do território, num contexto em que o cessar-fogo anunciado em outubro continua a ser fragilizado por incidentes de violência e por restrições à entrada de ajuda humanitária.
A estrutura exata do novo organismo ainda não está totalmente definida, mas foram anunciados dois níveis de governação. O Conselho Executivo fundador, presidido por Trump e com foco em investimento e relações internacionais, inclui Marco Rubio, o enviado especial dos EUA para o Médio Oriente, Steve Witkoff, Jared Kushner e Tony Blair. Um segundo órgão, o Conselho Executivo de Gaza, terá a responsabilidade de supervisionar o Comité Nacional para a Administração de Gaza, que ficará encarregue da gestão diária do território.
Tony Blair agradeceu a nomeação e considerou o modelo um “passo enorme em frente”, defendendo que pode dar esperança aos palestinianos e garantir maior segurança a Israel. Ainda assim, não está confirmado se todos os líderes convidados aceitaram integrar o conselho, com Sisi e Erdoğan a não terem anunciado publicamente a sua participação.
A segunda fase do plano de cessar-fogo entrou esta semana em vigor e inclui temas sensíveis como o desarmamento do Hamas, a reconstrução de Gaza e a eventual criação de uma força de segurança internacional. O Hamas ainda não se comprometeu com o desarmamento e Israel já manifestou reservas quanto ao eventual papel da Turquia nessa força.
Para além da governação, o Conselho da Paz terá também a responsabilidade de liderar a reconstrução de Gaza, grande parte da qual foi destruída ao longo de mais de dois anos de conflito, que, segundo autoridades locais, causou mais de 71 mil mortes entre a população palestiniana.