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Azulejos furtados: o saque silencioso do património

O grupo de moradores Vizinhos em Lisboa pede a proibição da venda de azulejos históricos e mais fiscalização da Polícia Municipal na Feira da Ladra. Uma especialista em restauro afirma que as obras são uma porta aberta ao desaparecimento de azulejos. E o diretor da Polícia Judiciária em Lisboa e Vale do Tejo defende que, dada a importância do património cultural, já é tempo de considerar a diferenciação do crime de furto de azulejos.

Contam histórias ao longo dos séculos e são uma das marcas da identidade portuguesa. Mas, por obra do acaso ou do alheio, muitos azulejos desaparecem das fachadas e dos interiores de edifícios antigos, das igrejas e dos miradouros, e aparecem à venda na internet, nos antiquários e na Feira da Ladra.

Entramos na feira instalada no Campo de Santa Clara à procura de azulejos furtados. “Você é da [Polícia] Judiciária?”, pergunta o vendedor ambulante Carlos Santos, em resposta ao interesse demonstrado pela Reportagem da TSF. A rádio não é a PJ, mas a desconfiança instala-se.

Este homem de 64 anos vende bugigangas, pneus, brinquedos e velharias que diz encontrar no lixo e comprar nos ferros-velhos e a empreiteiros. Na Feira da Ladra há quase 30 anos, Carlos Santos também se dedica aos azulejos, mas afirma que “o negócio está mau”. E começa a defesa em causa própria: “Sou Carlos Santos, mas não sou santo. Se calhar uma vez ou outra pus o pé na argola, mas isso faz parte do passado.” Numa toalha vermelha sobre o chão vende azulejos avulso por cinco euros e conjuntos de quatro azulejos alegadamente do século XIX por 20 euros. Garante que colabora “a 100% com a Polícia Judiciária” e que, às vezes, até é lá chamado para dar pistas sobre painéis valiosos, mas mede as palavras, com medo de “levar uma facada ou um tiro”.

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