O sinistro deflagrou numa das oito torres do complexo, que possui 1.984 apartamentos e acolhe cerca de quatro mil residentes. Grande parte dos edifícios encontrava-se em obras de renovação, suportadas por extensos andaimes de bambu cobertos por telas verdes — estruturas que, segundo os bombeiros e peritos em segurança, terão contribuído para a propagação extremamente rápida das chamas entre vários blocos.
A intensidade do fogo obrigou as autoridades a ativar o nível máximo de alerta — o quarto grau — algo raramente utilizado na região. As operações de combate foram declaradas encerradas na manhã de sexta-feira, após mais de 40 horas de trabalho contínuo das equipas de emergência.
A tragédia desencadeou uma resposta imediata da agência anticorrupção de Hong Kong, que anunciou a detenção de oito indivíduos ligados às obras: responsáveis pelo gabinete de estudos, chefes de obra, subcontratantes de andaimes e intermediários. As suspeitas incidem sobre práticas negligentes e possíveis irregularidades na adjudicação e execução dos trabalhos de renovação.
O governo local anunciou a abertura de uma investigação abrangente às condições de segurança do projeto, incluindo a análise dos materiais utilizados e da conformidade das estruturas temporárias. A revisão de normas de construção e de prevenção contra incêndios em habitações públicas foi igualmente colocada na agenda.
O impacto social é profundo. Centenas de moradores ficaram desalojados e recorreram a igrejas, restaurantes e ginásios do bairro para abrigo provisório. Organizações comunitárias mobilizaram-se para fornecer refeições, roupas, apoio jurídico e mediação com as autoridades. O governo criou um fundo de apoio de 300 milhões de dólares de Hong Kong para assistência imediata às vítimas.
A dimensão da tragédia reacendeu o debate sobre segurança habitacional numa das cidades mais densamente povoadas do mundo. Especialistas alertam que a combinação de edifícios envelhecidos, obras simultâneas e fiscalização insuficiente constitui um risco estrutural que pode repetir-se se não houver reformas profundas.





