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Incêndio em Hong Kong deixa pelo menos 128 mortos e expõe falhas graves em obras de renovação (com galeria)

Hong Kong encerrou esta semana com o balanço mais trágico da sua história recente no que toca a incêndios residenciais. As autoridades confirmaram, esta sexta-feira, pelo menos 128 mortos e 79 feridos após o fogo que devastou o complexo habitacional Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, na tarde de 26 de novembro. Cerca de 200 pessoas continuam desaparecidas ou por identificar, enquanto equipas de emergência prosseguem verificações minuciosas nas áreas mais afetadas.

O sinistro deflagrou numa das oito torres do complexo, que possui 1.984 apartamentos e acolhe cerca de quatro mil residentes. Grande parte dos edifícios encontrava-se em obras de renovação, suportadas por extensos andaimes de bambu cobertos por telas verdes — estruturas que, segundo os bombeiros e peritos em segurança, terão contribuído para a propagação extremamente rápida das chamas entre vários blocos.

A intensidade do fogo obrigou as autoridades a ativar o nível máximo de alerta — o quarto grau — algo raramente utilizado na região. As operações de combate foram declaradas encerradas na manhã de sexta-feira, após mais de 40 horas de trabalho contínuo das equipas de emergência.

A tragédia desencadeou uma resposta imediata da agência anticorrupção de Hong Kong, que anunciou a detenção de oito indivíduos ligados às obras: responsáveis pelo gabinete de estudos, chefes de obra, subcontratantes de andaimes e intermediários. As suspeitas incidem sobre práticas negligentes e possíveis irregularidades na adjudicação e execução dos trabalhos de renovação.

O governo local anunciou a abertura de uma investigação abrangente às condições de segurança do projeto, incluindo a análise dos materiais utilizados e da conformidade das estruturas temporárias. A revisão de normas de construção e de prevenção contra incêndios em habitações públicas foi igualmente colocada na agenda.

O impacto social é profundo. Centenas de moradores ficaram desalojados e recorreram a igrejas, restaurantes e ginásios do bairro para abrigo provisório. Organizações comunitárias mobilizaram-se para fornecer refeições, roupas, apoio jurídico e mediação com as autoridades. O governo criou um fundo de apoio de 300 milhões de dólares de Hong Kong para assistência imediata às vítimas.

A dimensão da tragédia reacendeu o debate sobre segurança habitacional numa das cidades mais densamente povoadas do mundo. Especialistas alertam que a combinação de edifícios envelhecidos, obras simultâneas e fiscalização insuficiente constitui um risco estrutural que pode repetir-se se não houver reformas profundas.

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