Segundo afirmou, já reúne mais do que as 7.500 assinaturas necessárias para formalizar a candidatura a Belém — embora, fiel ao tom irónico que lhe é característico, tenha evitado números exatos. “Só não digo o número exato porque sou mentiroso”, disse, antes de admitir que ultrapassa as nove mil subscrições.
A campanha chega embrulhada no humor surreal que marcou grande parte da sua carreira. O lema escolhido, “Só desisto se for eleito”, define o espírito da candidatura, que inclui um conjunto de promessas improváveis, desde “estacionamento gratuito”, motivado por um declarado cansaço da EMEL, até “Ferraris para todos os portugueses”, “vinho canalizado em todas as casas” e “uma prostituta em cada esquina”.
Nem temas politicamente sensíveis escapam ao estilo provocatório de Vieira. Sobre a imigração, garante ter uma solução para acabar com diferenças de cor da pele: “Ou o tratamento dermatológico, ou a fornicação estúpida e em série.” As declarações, que misturam sátira política e crítica social, já geraram reações intensas nas redes sociais.
Não é a primeira vez que Manuel João Vieira tenta entrar na corrida a Belém. O artista tem um historial de pré-candidaturas que, entre o nonsense e a ironia, procuram sobretudo apontar o dedo às contradições da política nacional. Desta vez, porém, a visibilidade alcançada poderá colocar-lhe novamente os holofotes da discussão pública — mesmo que a candidatura, caso avance, continue mais ancorada na sátira do que na ambição real de ocupar o Palácio de Belém.