A província de Jiangxi, a oeste de Fukian, tem pouco mais de 45 milhões de habitantes, tendo em 2022 alcançado o pico histórico do Produto Interno Bruto: 886 mil milhões de renminbis. É muito óbvia em todos os discursos oficiais a lógica de competição interprovincial: somos os melhores na economia sustentável, a segunda maior zona verde; temos o maior lago do país, a mais antiga produção de porcelana, o chá preto que é assim, a cerveja de chá que é assado… E têm. Mas têm também um enorme orgulho na poesia de Li Bai, ou de Mao Tse-tung, cuja produção literária é menos conhecida. São vistos como símbolos do saber, e do poder, que se inspiravam em visitas à Montanha de Lu (Lushan); aliás, onde ao longo dos séculos inúmeros filósofos o fizeram naquelas paragens.
A pintura e a poesia chinesa, muito inspirada na força e na beleza da natureza, encontrou ali uma fonte que se percebe bem como os motivou. Aliás, também os neoconfucionistas fizeram ali escola, em Jingdezhen, pequena cidade com uma população pouco maior que a de Macau; e que é hoje uma espécie de retiro paradisíaco para artistas atraídos pela vida pacata e o espírito da montanha; motor da criatividade. E foi também ali da zona que partiu a Longa Marcha, razão pela qual o “camarada Mao” está sempre na boca dos guias; e foi também ali na zona, numa sala reconstituída, que Zhou Enlai e Chiang Kai-shek suspenderam temporariamente as hostilidades entre o Partido Comunista e o Kuomintang, em nome do combate ao invasor japonês. O áudio que se houve, quando se entra na sala, não é o de Zhou Enlai – é o de Chiang Kai-shek.
Cidades médias, como a de Jiujiang (4,5 milhões de habitantes) surpreendem pela energia; da juventude – muito presente no dia-a-dia – e uma noite com um mercado noturno num bairro antigo reconstruído com uma dimensão, modernidade e um gosto, de fazer inveja a muito arquiteto japonês; mas sobretudo a Macau, onde nada daquilo existe. Na capital, Nanchang, cidade de 6,5 milhões de habitantes, as margens do rio fazem lembrar Singapura, ou até Hong Kong; mas, mais uma vez, a estratégia de recuperar estéticas antiga, reconstituídas como farol turístico, convive com torres de vidro, arranha-céus iluminados, que mostram que ali não há só História e Cultura, mas também indústria pesada, como a da aviação, e uma sociedade de serviços que projeta a ambição que já nada tem nada a ver com a realidade que ali se vivia há uma ou duas décadas – e não vai parar.
O Jiangxi Daily Media Group tem 2.000 trabalhadores, 80 milhões de visitantes online, e uma parafernália multimédia que não nunca se viu sequer em Portugal. Um jornalista, com dez anos de experiência, ganha em média 180 mil renmimbis por ano, segundo nos informou o diretor do centro de comunicação internacional, anfitrião da visita. Quando a renda de um apartamento T2 varia entre 1.500/2.000 renminbis mensais – certo que não no centro da cidade – percebe-se bem o patamar do nível de vida onde nesta altura já estão.
Em síntese, a narrativa – e a prática – da província é um coquetel inteligente de valorização da natureza (frondosa e diversa), da filosofia e da poesia (estruturantes), da narrativa política (leve e discreta), e de uma ideia de futuro centrada na modernização tecnológica e na produção de riqueza. Mais uma vez, não é novo na China, mas vai renovando a sua energia. Nanchang fica a cerca de duas horas de voo, a partir de Zhuhai; e sai-se de lá com vontade de lá voltar. No nosso caso, com insistentes convites para isso. Mas o que bate mesmo na alma é aquele sorriso; aquela gente sabe mesmo sorrir.
O PLATAFORMA viajou a convite do Gabinete de Ligação Chinês, que garantiu os custos e organização do programa








