Quando José Sócrates voltar pelas 9h30 desta terça-feira (2 de setembro) ao Campus de Justiça, em Lisboa, terão passado 49 dias desde a última vez que falou em tribunal. E apesar de já ter deposto em cinco sessões até esta interrupção, são mais os temas por abordar do que aqueles que já o foram.
Até agora, José Sócrates conseguiu ditar, em parte, o rumo de um julgamento que decorrerá por blocos temáticos, devido à extensão da acusação. Mas tem-lo feito, sobretudo, pela forma como escolhe quando fala sobre o quê e quando se fazem intervalos. Na última sessão, aliás, chegou a assumir estar “cansado” em várias ocasiões, pedindo que se pudessem fazer intervalos.
Nas primeiras cinco sessões, o julgamento da Operação Marquês abordou duas grandes áreas: a PT (e todas as ligações que daí advêm) e os negócios com ligações ao Grupo Lena, como a Parque Escolar ou o TGV. Ainda assim, apenas numa das sessões o Ministério Público (MP) interrogou José Sócrates, que espera ainda ser confrontado com as acusações de corrupção, o mais grave dos 22 crimes que lhe são imputados. Esta postura do MP, que parece estar a ‘circundar’ Sócrates com outras questões (como a ligação do antigo primeiro-ministro a outros rostos do processo, como Ricardo Salgado, ex-gestor do BES acusado de corromper Sócrates, ou Henrique Granadeiro, ex-chairman da PT), tem merecido críticas do principal arguido deste megaprocesso. Numa das sessões, Sócrates chegou mesmo a acusar o MP de ser voyeurista ao querer escalpelizar vários assuntos, desde a relação com Henrique Granadeiro à “fortuna herdada” da mãe. Foi, aliás, a propósito de tentar perceber a relação com o gestor que o MP protagonizou um dos momentos mais acalorados com José Sócrates.
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