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Ganha força o apoio à “solução dos dois estados”

Editorial do China Daily

Com a crise humanitária na Faixa de Gaza a agravar-se dia após dia, a situação desesperante dos palestinia- nos no enclave tem levado mais países ocidentais a juntarem-se ao movimento internacional de reconhecimento de um Estado palestiniano.

Nas últimas semanas, França, Reino Unido e Canadá anunciaram, sucessivamente, os seus planos para reconhecer um Estado da Palestina em território ocupado por Israel, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro. A Alemanha, embora não tenha anunciado um plano semelhante, também manifestou o seu apoio, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, a sublinhar na se- mana passada que o processo de reconhecimento de um Estado palestiniano “tem de começar agora”.

O conflito persistente em Gaza, o desastre humanitário cada vez mais profundo no enclave palestiniano cercado e o
número aterrador de civis mortos deram finalmente impulso para que estes países ocidentais apoiassem este direito há muito adiado do povo palestiniano. Apesar de 147 dos 193 Estados-membros da ONU já terem reconhecido o Estado da Palestina como país soberano, estes países ocidentais — tradicionalmente firmes apoiantes de Israel — mantinham-se até agora em silêncio sobre o reconhecimento.

A crescente empatia para com os palestinianos sitiados, aliada à indignação pública face à campanha desumana de Israel para os expulsar de Gaza, têm criado uma pressão crescente sobre estes governos e políticos ocidentais para promoverem uma mudança de política. Esta evolução recente, conquistada a um custo elevadíssimo, marca um desenvolvimento significativo na concretização da “solução de dois Estados”, considerada a única via viável para pôr termo ao ciclo de violência entre israelitas e palestinianos.

O inferno em Gaza não pode continuar. Desde o início do conflito, a 7 de outubro de 2023 — desencadeado pelos ataques do Hamas a Israel — mais de 60.000 palestinianos perderam a vida em Gaza, segundo as autoridades de saúde locais. Entre os mortos, cerca de 18.500 eram crianças, o que equivale a mais de uma criança por hora, tornando Gaza no local mais perigoso do mundo para uma criança. Qualquer pessoa com consciência ficará horrorizada com a crueldade por detrás desta tragédia.

Contudo, ainda há muito a fazer antes que o processo para concretizar a “solução de dois Estados” possa avançar. Para começar, a comunidade internacional deve continuar a pressionar por um cessar-fogo e exigir que Israel permita a entrada de mais ajuda internacional — especialmente alimentos e medicamentos — no enclave palestiniano. A fome na Faixa de Gaza atingiu tal gravidade que nem mesmo o mais fiel aliado de Israel, os Estados Unidos, a consegue negar.
Na passada semana, durante uma vi- sita à Escócia, o presidente dos EUA reconheceu que existe “fome real” em Gaza — em total contraste com a negação israelita de uma crise alimentar no território.

A crise de Gaza tornou-se uma ferida na consciência do mundo inteiro. O consenso em torno de um Estado palestiniano nunca foi tão forte como hoje. A China tem apoiado firmemente a criação de um Estado da Palestina independente, plenamente soberano, com base nas fronteiras de 1967 e com Jerusalém Oriental como capital. Na semana passa- da, o país apelou às Nações Unidas para que admitam a Palestina como membro de pleno direito com a maior brevidade possível, exortando todos os países a não colocarem obstáculos e incentivando aqueles que ainda não reconheceram a Palestina a fazê-lo sem demora.

Na última semana, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China condenou as sanções impostas pelos EUA a responsáveis da Autoridade Palestiniana e membros da Organização para a Libertação da Palestina. Washington deveria juntar-se à maioria da comunidade internacional na implementação efetiva das resoluções relevantes da ONU e envidar esforços concretos para uma resolução adequada da questão palestiniana, em vez de continuar a apoiar as ações injustificáveis de Israel. A divisão entre os EUA e alguns dos seus aliados ocidentais em relação à situação em Gaza torna-se cada vez mais evidente. Não deveriam ser necessárias mais mortes para que esses aliados pressionem os EUA a reconhecer que uma resolução adequada da questão palestiniana através da “solução de dois Estados” não só responde às necessidades humanitárias urgentes, como também está em consonância com o apelo da comunidade internacional.

EDITORIAL ORIGINALMENTE PUBLICADO NO CHINA DAILY. TEXTO EDITADO

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