Segundo as autoridades, o ex-deputado estaria envolvido numa rede de “conluio com organizações anti-China sediadas no exterior desde 2022, fornecendo regularmente conteúdo falso e inflamatório para disseminação internacional através de plataformas digitais e meios de comunicação estrangeiros”.
A unidade de segurança nacional da Polícia Judiciária comunicou, através de uma nota de imprensa divulgada ontem, a detenção de um residente de 68 anos de apelido Au, sob suspeita de violação da Lei de Salvaguarda da Segurança Nacional.
Ao que foi possível apurar, o suspeito em questão é o antigo deputado Au Kam San.
Segundo as autoridades, o ex-deputado estaria envolvido numa rede de “conluio com organizações anti-China sediadas no exterior desde 2022, fornecendo regularmente conteúdo falso e inflamatório para disseminação internacional através de plataformas digitais e meios de comunicação estrangeiros”.
“Mesmo após a revisão da lei em 2023, o arguido manteve o fornecimento de materiais difamatórios que sustentavam as operações destes grupos hostis”.
As autoridades indicaram que as investigações revelaram que Au Kam San mantinha contactos regulares com múltiplas entidades estrangeiras de cariz anti-China, fornecendo-lhes informações distorcidas sobre a realidade de Macau. Estas informações seriam depois amplificadas por meios de comunicação afiliados, num “claro esforço para incitar sentimentos anti-governamentais entre a população local; influenciar negativamente a opinião pública internacional; perturbar o processo eleitoral do Chefe do Executivo de 2024, e fomentar sanções e medidas hostis contra a RAEM”.
Segundo as autoridades, uma operação policial, realizada quarta-feira na residência do antigo deputado na zona central da cidade, foi o culminar de “um longo processo investigativo que reuniu provas documentais e testemunhais”.
“O arguido estabeleceu uma rede de colaboração estável com forças hostis no exterior, utilizando métodos coordenados para distorcer factos e manipular a opinião pública”, acrescentou a polícia.
Um porta-voz da PJ recusou-se a prestar declarações complementares na conferência de imprensa regular realizada ontem.
Au Kam San estará alegadamente acusado ao abrigo do Artigo 13.º da Lei de Salvaguarda da Segurança Nacional, que criminaliza “o estabelecimento de ligações com entidades estrangeiras para atividades que comprometam a segurança nacional”.
A pena prevista para este crime varia entre os três e os dez anos de prisão, com a medida de coacção de prisão preventiva aplicada a Au. O caso segue no Ministério Público, onde serão decididos os próximos passos processuais.
De acordo com dados disponíveis para consulta dos cadernos de recenseamento no site da Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI) de Portugal, Au Kam San está identificado como “Cidadão Nacional”. O PLATAFORMA tentou obter um comentário junto do cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, mas não obteve resposta até ao fecho da edição.
Au Kam San foi deputado na Assembleia Legislativa durante 20 anos, até à sua reforma em 2021. O político foi também dirigente da União de Macau para o Desenvolvimento da Democracia, que realizou vigílias anuais no Largo do Senado, durante 30 anos consecutivos, até 2020, quando foram proibidas pelas autoridades, alegando a pandemia de Covid-19.
Em 2021, a polícia elevou a proibição das reuniões do “4 de Junho” a nível de segurança nacional, descrevendo o evento como um incitamento contra a autoridade do Governo Central.