O acordo inclui a instalação de infraestruturas tecnológicas como servidores, redes de fibra ótica e sistemas avançados de atendimento e faturação, com vista a melhorar a eficiência no fornecimento de energia e a expandir o acesso à eletricidade, especialmente em centros urbanos como Luanda. A Huawei, que já tem presença significativa em Angola, será responsável por fornecer tecnologia e formação de quadros locais.
“Temos de reforçar a nossa capacidade de gestão comercial e de controlo da clientela. E é nesse âmbito que este contrato com a Huawei surge”, afirmou o ministro numa conferência de imprensa hoje no Consulado de Angola em Macau, destacando que o crescimento das cidades do país obriga à modernização dos sistemas de atendimento e cobrança.
“Temos confiança na Huawei, que já formou muitos jovens angolanos e criou infraestruturas importantes no país”.
Borges esteve presente em Macau nos últimos dias para participar no 16.º Fórum Internacional sobre Investimento e Construção de Infraestruturas, no Centro de Convenções do The Venetian, com Angola a assinar também um memorando de entendimento com a empresa chinesa China Machinery Engineering Corporation (CMEC) para desenvolver infraestruturas de produção, transporte e distribuição de energia e água.
“Foram reuniões bastante produtivas, outras empresas da área da indústria de construção de materiais elétricos. Nós também temos muito interesse em desenvolver em Angola uma indústria de construção de equipamentos e materiais elétricos que esteja virada para aquilo que são as nossas grandes prioridades neste momento no setor elétrico, que é expandirmos a eletrificação para as áreas rurais,”, destacou Borges
Entre as prioridades para o Governo angolano de momento está a construção de linhas de transmissão para levar energia elétrica às regiões leste e sul do país e a ampliação do abastecimento de água, especialmente em Luanda.
“Estamos a construir um sistema de abastecimento para mais de 7,5 milhões de pessoas em Luanda com a participação de uma empresa chinesa. Mas estas necessidades existem em quase todo o país”, afirmou.
O ministro referiu que garantir acesso à eletricidade a 60 por cento da população, mais de 16 milhões de pessoas, é uma das prioridades até ao final do atual mandato, o que representa mais de 16 milhões de pessoas.
O ministro destacou o papel estratégico da cooperação com empresas chinesas na concretização das metas do Plano Nacional de Desenvolvimento, com o seu reforço um dos objetivos da sua visita à China. Borges desloca-se hoje para Shenzhen, com um encontro com o Chefe do Executivo de Macau a ficar, no entanto, fora dos planos da comitiva.
Mais investimento por privados chineses

João Baptista Borges, Ministro das Energias e Águas de Angola
Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa organizou, com o apoio da Associação dos Construtores Civis Internacionais da China e do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), uma sessão paralela sob o tema “Desenvolvimento de Alta Qualidade da Cooperação em Infraestruturas entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.
Durante essa sessão, Borges apelou a uma mudança no modelo de cooperação entre Angola e a China. “Precisamos de passar de uma lógica de financiamento Estado a Estado para uma lógica de investimento direto privado”, defendeu. “Queremos ver empresas chinesas a investirem diretamente em Angola, criando empregos e desenvolvendo capacidade local.”
“Com esta transição para as energias verdes, a África e a Angola, particularmente, precisam sobretudo ter acesso a financiamento e acesso à tecnologia. Nós temos um grande desafio pela frente que é universalizar o acesso à eletricidade. Nós apenas temos, neste momento, 44 por cento da população com acesso à eletricidade,” notou Borges.
“Falar em transição significa não só utilizar soluções de produção de energia menos poluentes, como as tradicionais, passar para as novas energias renováveis, utilizando principalmente a água, mas também solar, fotovoltaica e eólica, mas também implica adotar soluções de energia, soluções de baixo custo, para que a população possa ter acesso.”
Segundo Borges, a solução de financiamento Estado a Estado resolveu grandes problemas e permitiu realizar muitas infraestruturas, mas é agora “altura de atrair capital privado”. “Temos legislação que incentiva o investimento estrangeiro e abrimos praticamente todos os segmentos do setor elétrico – produção, transmissão e distribuição – ao setor privado”, destacou.
O ministro apontou que, embora já haja investimento privado chinês em Angola, este tem-se concentrado no comércio, com a Governo angolano a querer “ver empresas chinesas a investir diretamente em infraestruturas – centrais elétricas, linhas de transmissão – criando empregos e capacidade local”.
Nesse sentido, Angola procura atrair produtores independentes de energia elétrica e empresas interessadas na construção de equipamentos e materiais para o setor. O país, explicou Borges, encontra-se numa posição geográfica estratégica entre a África Central e Austral, com vastos recursos naturais que exigem acesso fiável à energia para serem explorados de forma eficiente.
Reduzir dependência e atrair capital estruturante
Questionado sobre uma possível preocupação com a dependência de financiamento chinês, o ministro reconheceu que, no pós-guerra, Angola recorreu amplamente ao financiamento estatal da China para reconstruir as suas infraestruturas. No entanto, sublinhou que há agora consenso quanto à necessidade de diversificar as formas de cooperação.
Temos visto, por exemplo, empresas chinesas comprarem ativos em Portugal e no Brasil. Queremos ver esse tipo de investimento direto também em Angola. Temos grandes oportunidades”, afirmou, destacando o apelo feito durante o fórum para atrair empresas chinesas para projetos estruturantes no setor energético.
Segundo dados do ministro, projetos de empresas chinesas como a barragem de Caculo Cabaça e obras de combate à seca no sul do país já criaram mais de 6.500 postos de trabalho no setor elétrico, e destacou que a China foi um dos principais financiadores do processo de reconstrução pós-guerra de Angola.
“O nosso objetivo é reforçar ainda mais esta cooperação e encontrar soluções que nos permitam responder às grandes prioridades nacionais: eletrificação das zonas rurais e abastecimento de água”, concluiu.