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‘Start-up’ de Macau transforma resíduos de chá em papel, embalagens e mobiliário

Uma 'start-up' sediada em Macau criou um negócio baseado nos desperdícios de plantações de chá na China, que recicla em papel, sacos de compras, copos, escovas de dentes, invólucros de produtos eletrónicos e mesmo em mobiliário.

A Zence Object Holding conta já com mais de 20 projetos ativos em áreas como a decoração de interiores, embalagens de bebidas, entre outras, que desenvolve com vários clientes, que são também parceiros, nomeadamente restaurantes, hotéis e centros de conferências.

Todos os anos, a China produz cerca 100 toneladas de resíduos de chá, que acabam no lixo, de acordo com o relatório anual da indústria do chá da China em 2023. Por outro lado, o país produz cerca de 200 milhões de toneladas de resíduos plásticos anualmente, de acordo com um relatório da ONU em 2023.

A Zence viu na necessidade de “resolver os problemas globais dos resíduos” uma oportunidade, parecendo-lhe perfeita a ideia de transformar os resíduos de chá em materiais ecológicos reciclados.

A empresa fundada em 2023, com um capital de seis milhões de patacas (545 mil euros), espera atingir o retorno sobre o investimento no próximo ano e ser rentável em 2028. “Uma tonelada de resíduos de chá pode dar origem a dez toneladas de bioplástico à base de chá, flexível e versátil como o plástico”, explicou à Lusa o cofundador da empresa, Bob Lei Hou Keung.

O mesmo peso de resíduos de chá pode fazer 150 tampos de mesa, ou painéis de aglomerado com o tamanho 120X60X1,8cm, que podem ser utilizados na “substituição direta da maioria de painéis de madeira”, com o “triplo da dureza do cimento”, acrescentou o empresário.

Cerca de uma tonelada de resíduos de chá por mês, provenientes diretamente de uma plantação de chá da província de Fujian, uma das maiores províncias produtoras de chá da China, é enviada para duas fábricas da Zence na província de Guangdong, a província vizinha de Macau, disse Lei.

O processo industrial integra tecnologias de modificação de plásticos de base biológica e de mistura de fibras vegetais, modificação de biomateriais, produção e fabrico.

“Depois de recolhermos os resíduos de chá, processamo-los, esterilizamo-los, começamos a transformá-los em bioplástico à base de chá, em forma de grão, que depois de derretido é moldado por uma máquina”, explicou o empresário.

Lei sublinhou que os resíduos de chá “podem ser decompostos de forma 100% natural”, “sem formaldeído” e “neutros em termos de carbono”.

Uma chávena de café, por exemplo, contém 10% de folhas de chá puras com polímeros vegetais e polihidroxialcanoatos (PHA) – polímeros biodegradáveis naturais, “enterrados no solo, e pode decompor-se completamente em cerca de 60 a 90 dias”, disse.

O lado mais frágil do projeto tem a ver com o custo final dos produtos biodegradáveis, pelo menos por enquanto. O custo dos materiais à base de chá produzidos pela Zence é 30% mais caro do que o do plástico. Mantendo o exemplo da chávena de café, “cada uma custa 100 patacas (12 euros) no mercado”, acrescentou Lei.

“Espero que os resíduos de chá possam substituir completamente o plástico em 2030” no conjunto dos produtos para os quais a Zence está a olhar, afirmou o empresário, numa referência à data fixada pela ONU nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Em setembro de 2020, o líder chinês Xi Jinping afirmou, no debate geral da 75.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que a China irá adotar políticas e medidas mais vigorosas, e esforçar-se por atingir o pico das emissões de dióxido de carbono até 2030 e tentar alcançar a neutralidade carbónica até 2060.

É cada vez maior o conjunto de materiais que estão a ser utilizados como alternativas de base biológica aos plásticos convencionais, como os bioplásticos à base de amido, materiais à base de celulose (polpa de madeira, algodão, resíduos agrícolas), o quitosano (carapaças de crustáceos), o alginato (algas castanhas), materiais à base de micélio, ou a caseína (proteína do leite).

Plataforma com Lusa

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