Início » PS quer mais Estado junto dos emigrantes

PS quer mais Estado junto dos emigrantes

A candidata do Partido Socialista (PS) pelo círculo fora da Europa, Maria José Grosso, propõe o reforço da presença do Estado português junto das comunidades emigrantes, com medidas concretas para simplificar processos administrativos, valorizar o ensino do português e aumentar a participação cívica, com particular atenção à realidade de Macau

Paulo Rego e Fernando M. Ferreira

Professora na Universidade de Macau, com um percurso ligado à promoção da língua portuguesa e à educação bilingue, Maria José Grosso é, pela primeira vez, candidata suplente nas listas do PS pelo círculo fora da Europa nas legislativas de 2025.

A candidata destaca a complexidade da prova de vida exigida para manter o acesso às pensões como um dos temas mais importantes da campanha: “A questão da prova de vida é uma das mais sensíveis”, afirma. Garante que o PS está “disponível para ajudar a simplificar mais o processo, desde logo com soluções digitais”, sublinhando que a proposta resulta da auscultação das preocupações da comunidade e das associações locais.

No domínio do ensino da língua portuguesa, Maria José Grosso defende uma estratégia integrada e com ligação à realidade de Macau. “Defendemos uma maior integração do ensino da língua com a comunidade e com a própria identidade local”, afirma ao PLATAFORMA, sublinhando o papel das instituições portuguesas em Macau como canais privilegiados de comunicação com os países lusófonos. Considera ainda que os professores devem ter “condições laborais e estabilidade contratual” para que possam cumprir eficazmente a sua missão de valorização e divulgação da língua.

Por outro lado, a candidata considera prioritário garantir que os portugueses residentes fora da Europa sejam tratados como cidadãos de pleno direito. Entre as medidas já concretizadas, destaca-se a eliminação da obrigatoriedade de um representante fiscal para os emigrantes, uma proposta “há muito reclamada e para a qual o Núcleo do PS de Macau teve uma intervenção ativa”. Aponta também o alargamento do Programa Regressar a pensionistas como uma meta futura do partido.

Sobre a baixa participação eleitoral dos cidadãos portugueses de origem chinesa em Macau, Maria José Grosso reconhece que ainda “há muito a fazer para aproximar os cidadãos portugueses de origem chinesa do processo democrático eleitoral”, atribuindo essa distância a fatores como barreiras linguísticas, falta de informação acessível e distanciamento das instituições portuguesas.

A candidata defende o reforço da presença institucional, a melhoria da comunicação consular e a facilitação do processo eleitoral. Sublinha que “votar não é apenas um direito, é um símbolo de pertença”, e acrescenta que o trabalho desenvolvido pelo PS junto desta comunidade “não nasce da oportunidade, mas da convicção profunda de que esta comunidade tem voz, valor e futuro no projeto português”.

O PLATAFORMA tentou contatar o candidato do Chega, João Janela, mas não recebeu resposta até ao fecho da edição.

ATFPM volta a ser acusada de aliciamento

Função Pública de Macau de estar “a promover ações que comprometem a liberdade e a confidencialidade do voto nas eleições legislativas de 18 de Maio”.

O alegado aliciamento ao voto na Aliança Democrática, para as Legislativas de 18 de Maio, reporta-se a acontecimentos na última quarta-feira, quando eleitores portugueses se preparavam para entregar a carta com o boletim de voto, nos Correios. Segundo uma testemunha relatou ao PLATAFORMA, uma mulher que estava anteontem a aliciar o voto na AD tem “ligações à ATFPM”, circunstância que tratam como recorrente. Recorde-se que, já nas últimas eleições legislativas, a estrutura socialista local havia procedido a queixa semelhante, na altura visando diretamente Rita Santos.

Conforme notícia do nosso jornal, em Outubro do ano passado, o Ministério Público português deu procedência à queixa, que está sob investigação. Aliás, o MP preparava-se para citar Rita Santos, na reunião do Conselho das Comunidades na qual a conselheira anunciou inicialmente a sua presença, em Lisboa; mas acabou por não acontecer; Rita Santos suspendeu “temporariamente” o seu mandato, não tendo realizado essa viagem. Na altura, alegou, “a fim de se dedicar plenamente ao apoio do processo de eleição do novo Chefe do Executivo”.

Contatado pelo PLATAFORMA, o presidente da ATFPM, José Pereira Coutinho, afirmou: “Fui agora saber melhor na ATFPM e não existe nada do que acabou de referir só podendo ser invenções do qual não merece comentários”. Por sua vez, Rita Santos afirmou ao nosso jornal desconhecer “a situação dos voluntários que está a referir porque a ATFPM não está envolvida nem interfere nas Eleições da Assembleia da República de Portugal. Este ano são as Eleições da Assembleia Legislativa de Macau e estamos empenhados para a apresentação da candidatura da Lista Nova Esperança”.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!