Início » Comércio Portugal e a China “aquém do seu potencial”

Comércio Portugal e a China “aquém do seu potencial”

Quase 90 por cento do investimento de Portugal na China foi direcionado para Macau, o Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong indicou recentemente. Apesar das relações comerciais entre os dois países ter evoluído de forma extremamente rápida nos últimos 10 anos, o representante diplomático considera que o nível de comércio está ainda “aquém do seu potencial”

Nelson Moura

A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC) organizou na segunda-feira um evento no histórico Club Lusitano em Hong Kong para celebrar os 500 anos de relações comerciais entre Portugal e China.

Durante o mesmo evento, Bernardo Pinho, Diretor da AICEP Portugal Global em Macau e Hong Kong deu uma visão geral do nível das relações comerciais entre Portugal e a China, incluindo através das duas RAEs.

“As relações comerciais entre Portugal e a China têm evoluído de forma bastante interessante ao longo dos últimos 10 anos. Em 2013, o comércio de mercadorias atingiu 2 mil milhões de euros, e 10 anos depois, em 2023, atingia os 6 mil milhões de euros, tornando a China no 10.º maior parceiro comercial de Portugal,” observou Pinho.

Atualmente, o principal produto importado da China continental para Portugal maquinaria elétrica, seguido por maquinaria mecânica e instrumentos, veículos automóveis, combustíveis minerais e produtos químicos orgânicos, com Portugal a exportar principalmente pasta de papel, cobre, maquinaria elétrica e marisco.

Quanto a Macau, Pinho notou que as relações comerciais têm aumentado, com o comércio de bens a crescer 15 por cento em relação ao ano anterior em 2023, com mais de 400 empresas a exportar para a cidade, mas com níveis de comércio ainda abaixo dos níveis pré-pandémicos de 2019, cifrando-se apenas em 31.9 milhões de euros.

Em Hong Kong, as relações comerciais com Portugal atingiram o seu pico em 2022, ultrapassando os 300 milhões de euros em comércio de bens, com um total de mais de 750 empresas portuguesas a exportar anualmente para Hong Kong.
“Quando olhamos para Macau, os produtos alimentares representam 60 por cento das nossas exportações, seguidos por produtos farmacêuticos, que representam cerca de 20 por cento. Quanto a Hong Kong, o principal produto de exportação foi maquinaria elétrica e equipamentos, seguido por relógios, fibras têxteis e artificiais, óleos essenciais e vestuário,” sublinhou Pinho.

Investimento canalizado por Macau

Contudo, no seu discurso, o Cônsul Alexandre Leitão apontou que Macau representa atualmente 90 por cento de todo o investimento direto português na China e Regiões Administrativas Especiais.

De acordo com dados fornecidos durante o evento, Macau foi o 12.º maior destinatário do Investimento Direto Estrangeiro (IDE) de Portugal, recebendo quase 1.1 mil milhões de euros em 2023, enquanto a China continental recebeu apenas 55 milhões de euros em IDE português. A maioria do investimento português foi direcionada para áreas como banca, finanças, farmacêutica, seguros e produtos alimentares.

“Macau serve como uma plataforma e base vital, mas devemos olhar para além das suas fronteiras. Há muitos negócios que também podem ser feitos via Hong Kong. O volume de comércio, quer importações como exportações, está muito aquém do seu potencial”, avisou o representante diplomático português na região.

“Esta é uma área em que estamos a colocar um esforço considerável, pois não podemos aceitar que esta situação persista.”

A China é quarto maior investidor direto estrangeiro em Portugal, com quase 12 mil milhões de euros em investimento até à data e com cerca de 70 por cento do IDE anunciado em Portugal proveniente de empresas chinesas.

“Este investimento não se limitou apenas ao imobiliário no país. Devemos ter em mente que existem muitas empresas nas quais a China investiu fortemente e obteve bons lucros, pois o investimento chinês em Portugal tem sido muito eficaz e recompensador,” acrescentou Leitão.

Entretanto, Macau contribuiu com 812 milhões de euros em IDE para Portugal em 2023, um crescimento de 2,6 por cento em relação ao ano anterior.

Leitão destacou a considerável margem de crescimento das relações comerciais entre a China e Portugal, realçando que “ambos os países estão comprometidos em seguir esse caminho”.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!