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Restrições na Internet em Moçambique impedem que seja usada para “destruir” o país

O ministro dos Transportes e Comunicações moçambicano admitiu hoje que as restrições à internet, sobretudo nas redes sociais, resultou da própria ação dos operadores, para que não fosse utilizada para “destruir” o país, no contexto das manifestações pós-eleitorais.

É uma combinação de muitos fatores. A destruição de infraestruturas, mas também a segurança dos próprios operadores, que têm de trabalhar num ambiente de segurança. Também a responsabilidade civil dos operadores, posso dizer, quando veem que a Internet está a ser utilizada para a destruição do país”, disse o ministro Mateus Magala, questionado pelos jornalistas, na província de Maputo.

“Certamente eles próprios tomaram medidas para prevenir que a Internet seja um bem coletivo, não um mal usado para destruir o nosso país”, afirmou ainda.

Há praticamente duas semanas que o acesso à Internet, nomeadamente redes sociais e WhatsApp, está limitado, sendo estes habituais meios para convocação e divulgação de manifestações.

“Quando vemos violações que põe em perigo a integridade de todos os moçambicanos na nação temos que agir como tal, para que os nossos meios de comunicação não sejam usados para a destruição do país. É nesse contexto que por exemplo muitas pessoas, por causa da segurança, não se fizeram ao serviço. Será que foi o Governo que disse para eles não irem ao serviço? Não, o Governo disse ‘vamos trabalhar’, mas as pessoas tomaram a decisão, pela perceção do risco onde estão, que não se podiam locomover”, acrescentou Magala.

O ministrou apelou à população “para pautar pelo civismo e a proteção das infraestruturas de transportes e comunicações”, para “que não haja a interrupção” desses serviços no país.

O anúncio pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Moçambique, em 24 de outubro, dos resultados das eleições de 09 de outubro, em que atribuiu a vitória a Daniel Chapo, apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, partido no poder desde 1975) na eleição a Presidente da República, com 70,67% dos votos, espoletou protestos populares, convocados pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane.

Segundo a CNE, Mondlane ficou em segundo lugar, com 20,32%, mas este afirmou não reconhecer os resultados, que ainda têm de ser validados e proclamados pelo Conselho Constitucional, que não tem prazos para esse efeito e ainda está a analisar o contencioso.

Após protestos nas ruas que paralisaram o país nos dias 21, 24 e 25 de outubro, Mondlane convocou novamente a população para uma paralisação geral de sete dias, desde 31 de outubro, com protestos nacionais e uma manifestação concentrada em Maputo na quinta-feira, 07 de novembro, que provocou o caos na capital, com diversas barricadas, pneus em chamas e disparos de tiros e gás lacrimogéneo pela polícia, durante todo o dia, para dispersar.

Venâncio Mondlane anunciou quinta-feira que as manifestações de protesto são para manter até que seja reposta a verdade eleitoral.

Pelo menos três pessoas foram mortas e 66 ficaram feridas durante confrontos entre manifestantes e a polícia na quinta-feira, oitavo dia das greves convocadas por Venâncio Mondlane, anunciou o Hospital Central de Maputo (HCM), maior unidade sanitária do país.

“Em todas as nossas portas de entrada tivemos um cumulativo de 138 admitidos, dos quais a urgência de adultos teve 101 pacientes. Dos 101 pacientes, 66 foram vítimas dessas manifestações e os restantes foram por outras causas”, disse o diretor do Serviço de Urgência de Adulto no HCM, Dino Lopes.

*Com Lusa

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