No 6.º andar do Grand Suites do Four Seasons, os últimos 25 anos de Macau podem ser vistos através de pinturas, desenhos, ilustrações digitais, fotografias e uma coleção única de selos postais. Cada um dos nove artistas em exibição ocupa um canto da Sands Gallery, e deixam as suas obras falar por si. “Esperamos dar ao público uma visão global da cidade e um vislumbre do seu futuro”, descreve assim o vice-presidente executivo da Sands China, Dr. Wilfred Wong.
A exposição, coorganizada pela Macau Artist Society, apresenta mais de 120 obras no âmbito da celebração do 75.º aniversário da República Popular da China e do 25.º aniversário do regresso de Macau à Pátria. A seleção foi feita “de uma forma muito natural”, diz-nos o curador da exposição. Lam Chi Ian, também ele um dos artistas que recheia as paredes da Sands Gallery, explica que o conceito ocupa um lugar muito especial no coração dos artistas.

Lam Chi Ian, curador da exposição “Echoes of a Golden Age”, pousa em frente às suas obras.
Os que não nasceram em Macau, mudaram-se para a cidade ainda em tenra idade, e muitas das suas obras têm a cidade como pano de fundo. A “Echoes of a Golden Age” acaba não só por catalogar o desenvolvimento de Macau, como também das suas vidas.
De corredor em corredor, de sala a sala, deparamo-nos com uma viagem pelo tempo. Conta-se a História de Macau, através de várias expressões artísticas que também aqui nasceram, e floresceram com o desenvolvimento da cidade.
“Ao longo dos últimos 25 anos, muitos artistas têm procurado a mudança, inovando constantemente na sua arte, particularmente em termos de expressão e de tema. Com o passar do tempo, os temas tornaram-se cada vez mais diversos, porque também Macau e o seu ambiente passaram a fornecer mais fontes de inspiração para criar”, explica Lok Hei, presidente da Macau Artist Society, e outro dos artistas em exposição.
A título de exemplo, aponta para as obras de arte presentes na galeria, que em grande parte retratam cenários locais.
Entre as obras, destacam-se selos que captam várias facetas do mundo, como se tratassem de fragmentos do tempo, repletos de conotações culturais. Quer retratem de forma requintada o esplendor centenário das Casas da Taipa, quer registem fielmente o marco histórico da inauguração da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, os selos refletem grandes mudanças em pequenas molduras que englobam as vicissitudes dos tempos. Não só facilitam a comunicação, como são também um retrato das paisagens sociais e culturais.
Como tal, apenas artistas de elevado estatuto são convidados pela Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações de Macau para desenharem selos. Esta mostra torna a exposição imperdível, não só para colecionadores, mas também para os entusiastas da arte e os mais jovens.

Lio Ma Cheong apresenta uma das suas obras durante a cerimónia de inauguração da “Echoes of a Golden Age”
Contudo, alguns dos retratos vão muito além dos 25 anos. Lio Man Cheong é um dos artistas que expõe esse passado, que vai às origens da cidade para evidenciar o multiculturalismo ainda patente nas ruas de Macau. “São retratos de períodos que eu não vivi. No entanto, recorro a vários materiais e imagens para fundamentar as minhas criações. A dita experiência não tem necessariamente de ser algo que eu tenha passado. Muitas vezes, o impulso de criar algo é o que me inspira. Quando retrato temas relacionados com a história, é essencial manter a autenticidade do assunto e não me desviar demasiado”, explica.
Cheong já participou em várias exibições fora de Macau, e diz que o feedback, de um modo geral, “é de que Macau é muito especial. Ficam intrigados com a sua história. Através das minhas obras de arte, posso ajudar a que as pessoas compreendam melhor a história de Macau e sinto que estou a contribuir para a promoção da cidade.”
Arte vive novo contexto

Dois visitantes apreciam obras relacionadas com o Grande Prémio de Macau durante a cerimónia de inauguração da “Echoes of a Golden Age”
A “Echoes of a Golden Age” é também uma forma de inspirar os jovens artistas. Antes da cerimónia de inauguração, foram organizadas várias visitas de estudo para jovens universitários. “Quando comecei a interessar-me, por volta dos 15 anos, ninguém falava de arte. Se dissesses que eras artista achavam que eras louco, que havia qualquer coisa de errado contigo”, recorda Lam Chi Ian.
Atualmente, depois de terem estudado aqui ou no estrangeiro, muitos dos jovens optam por trabalhar em Macau, continuando a sua formação artística.
Lok Hei, presidente da Macau Artist Society, e um dos artistas em exposição.
A grande maioria dos nove artistas teve de aprender sozinho. Quando começaram, a arte não era vista como um percurso profissional, antes um mero passatempo. “Acabo de falar com vários amigos artistas e referimos que, atualmente, os jovens artistas têm mais oportunidades e condições para mostrar as suas obras, o que representa uma melhoria considerável em relação à nossa geração. No passado, não havia escolas de arte especializadas em Macau, e muitos artistas eram autodidatas. Atualmente, depois de terem estudado aqui ou no estrangeiro, muitos dos jovens optam por trabalhar em Macau, continuando a sua formação artística. No contexto da Macau Artist Society, existe uma Associação de Arte Juvenil, cujos membros têm menos de 45 anos. Muitos lecionam em escolas primárias, secundárias e instituições de ensino superior. Isto reflete uma mudança significativa no desenvolvimento da arte em Macau”, evidencia Lok Hei.
“Cada vez mais jovens colocam maior importância na indústria cultural e criativa quando regressam a Macau”, reforça Lio Man Cheong. E essa circunstância acaba também por afetar positivamente estes nove artistas, segundo Lok Hei. “O facto de cada vez mais jovens estarem a participar no setor também leva a que a geração mais velha seja empurrada para a frente.”






