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Tecnologia blockchain passa a controlar pessoal e massa salarial na Guiné-Bissau

A Guiné-Bissau tornou-se hoje num dos primeiros países da África Ocidental a utilizar a tecnologia ´blockchain` para controlo da massa salarial e pessoal na Administração Pública, num país onde os salários absorvem o grosso das receitas fiscais

Há cinco anos que a Guiné-Bissau estava a trabalhar esta solução com o Fundo Monetário Internacional (FMI), como lembrou hoje o primeiro-ministro, Rui de Barros, salientando que “hoje é o ponto de implementação” desta ferramenta no país.

A solução ´blockchain`é uma plataforma digital para “reforçar a transparência da gestão da massa salarial” e consequente contratação de pessoal na Administração Pública.

O primeiro-ministro destacou que se trata de uma ferramenta “muito importante e segura para gerir dados”, que não permite “fazer nada sem respeitar todos os procedimentos”.

Nenhum país se pode desenvolver no mundo se trabalha só para pagar salários. O país precisa de ter infraestruturas, hospitais, escolas de qualidade, estradas em condições e precisa de melhorar a vida dos cidadãos

Disse o ministro das Finanças, Ilídio Vieira Té

A plataforma digital, como explicou, será utilizada pelos ministérios das Finanças e da Administração Pública e pelo Tribunal de Contas, intervenientes no processo de gestão e fiscalização.

O ministro das Finanças, Ilídio Vieira Té, acredita que este sistema “vai revolucionar a Administração Pública” na Guiné-Bissau que tem vivido com uma “subida galopante da massa salarial de uma forma irracional e descontrolada”, como considerou.

A partir de agora, disse, haverá um controlo a nível da admissão do pessoal, com normas que obrigam a que haja “vaga identificada” e um pedido ao Ministério das Finanças para saber se existem ou não condições de cabimento de verba, além da fiscalização do Tribunal de Contas.

“Ou seja, obriga a cumprir estes requisitos administrativos e legais. E qualquer tentativa de adulteração ou de introduzir dados que não correspondem à realidade, dá um alerta”, explicou.

O propósito do Governo, como disse, “é chegar aos 35%” de peso da massa salarial na despesa pública, em convergência com os restantes países da União Económica e Monetária do Oeste Africano (UEMOA).

“Nenhum país se pode desenvolver no mundo se trabalha só para pagar salários. O país precisa de ter infraestruturas, hospitais, escolas de qualidade, estradas em condições e precisa de melhorar a vida dos cidadãos”, declarou.

O ministro das Finanças considerou “irresponsabilidade política” o Estado estar a gastar 6,8 mil milhões de francos cfa (mais de dez milhões de euros) para pagar salários.

A cerimónia de lançamento da plataforma na Guiné-Bissau, contou com a presença da economista sénior do departamento africano do FMI, Concha Verdugo-Yepes, que destacou “a importância deste notável feito por um Estado frágil”.

O FMI está pronto para apoiar a ampliação [da plataforma] para o resto dos ministérios nos próximos meses

Disse o  economista sénior do departamento africano do FMI, Concha Verdugo-Yepes

“A Guiné-Bissau destaca-se como um dos primeiros países da África subsariana a utilizar a tecnologia digital ´“blockchain”` para melhorar as operações governamentais na gestão da massa salarial, reforçar a transparência orçamental e combater as vulnerabilidades da governação”, sublinhou.

Esta inovação, acrescentou, “pode ajudar a construir confiança nas instituições fiscais, aumentar a prestação de contas e reduzir qualquer perceção de corrupção pública”.

Para a economista sénior do FMI, esta solução pode ajudar o problema da Guiné-Bissau com a massa salarial e simultaneamente contribuir para o sucesso do programa de apoio financeiro que o Fundo tem em curso no país africano.

Concha Verdugo-Yepes lembrou que quando começaram a trabalhar em conjunto no projeto, “a massa salarial representava 84% da arrecadação de impostos, o maior índice da região”.

“Isso significa que, por cem dólares arrecadados em impostos, oitenta e quatro dólares foram gastos com salários. Sobrou pouco espaço para saúde, educação, infraestrutura ou pagamento de dívidas”, observou.

A economista sénior ressalvou que o “rácio melhorou agora para 53%, mas ainda é elevado em comparação com o rácio de convergência na região, de 35%”.

Disse ainda que “o FMI está pronto para apoiar a ampliação [da plataforma] para o resto dos ministérios nos próximos meses”.

Plataforma com Lusa

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