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Putin considera crime ofensas a sentimentos religiosos e queima do Alcorão

TSF

O chefe de Estado russo acrescenta que na Rússia também é considerado crime induzir o ódio religioso entre os praticantes e que o país “irá cumprir sempre essas leis”.

O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou esta quarta-feira que a ofensa aos sentimentos religiosos é considerada um crime na Rússia e condenou a queima do Alcorão na capital sueca, no dia em que os muçulmanos russos celebram o Eid al-Ahda.

“Sabemos que em outros países se procede de outro modo, não se respeitam os sentimentos religiosos das pessoas e ainda dizem que não é um crime. No nosso país isso é um delito, na Constituição e no Código penal”, afirmou Putin durante a visita a uma mesquita em Derbent, capital da república russa do Daguestão e no dia do início da celebração do Eid al-Ahda ou Festa do Sacrifício, a mais importante do calendário islâmico.

Putin acrescentou que na Rússia também é considerado crime induzir o ódio religioso entre os praticantes e que o país “irá cumprir sempre essas leis”.

Sublinhou ainda que o Alcorão é um livro sagrado para os muçulmanos “e também deve sê-lo para as demais confissões”.

Um exemplar do Corão foi esta quarta-feira queimado junto a uma mesquita de Estocolmo, no primeiro ato do género autorizado pela polícia sueca após os tribunais terem recentemente revogado uma proibição anterior.

Em janeiro passado, a queima de outro exemplar do Alcorão frente à Embaixada turca pelo ultradireitista sueco-dinamarquês Rasmus Paludan motivou um forte protesto da Turquia, que mantém o bloqueio à ratificação da adesão da Suécia à NATO.

Ainda esta quarta-feira, Putin felicitou os muçulmanos russos por ocasião da Festa do Sacrifício e sublinhou que a festividade, que assinala o fim da peregrinação aos grandes santuários islâmicos, “possui um profundo sentido moral e espiritual”.

Esta celebração muçulmana, designada na Rússia “Kurban Bairam”, de origem tártara, recorda a ocasião em que, segundo o Corão, o profeta Abraão (Ibrahim) se mostrou disposto a sacrificar o seu filho Ismael (Ismail) para demonstrar a sua lealdade a Deus (Alá).

Este relato é similar à passagem bíblica descrita no Génesis sobre o sacrifício de Isaac, filho de Abraão.

Apesar de não existir uma estatística oficial sobre o número de muçulmanos na Rússia, calcula-se que ascendam a 20 milhões.

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