Economia local caminha a passos largos para crescer quase 50 por cento em 2023
A economia de Macau voltou a crescer no primeiro trimestre deste ano, com o produto interno bruto (PIB) a subir 38,8 por cento em termos homólogos.
De acordo com a Direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o “alívio das restrições de entrada em Macau, a plena retoma das deslocações entre Hong Kong e Macau, e o recomeço das viagens em grupo do interior da China” foram apontados como fatores que permitiram esta recuperação considerável.
A China levantou em 6 de fevereiro todas as restrições devido à pandemia de covid-19 nas deslocações para Hong Kong e Macau, permitindo o reinício das excursões organizadas para as duas cidades.
De acordo com as autoridades, a economia recuperou de forma estável, apesar de uma parte das despesas de consumo privado ter sido transferida para as despesas do governo, através do subsídio de vida.
Isto, em conjunto com outros fatores como, a queda da população e a retoma das viagens dos residentes para o exterior após a pandemia, acarretou uma diminuição de 12,1 por cento da despesa de consumo final das famílias no mercado local, em termos anuais.
Entretanto, a despesa de consumo final das famílias no exterior subiu 53 por cento, com a despesa de consumo privado a descer 7,5 por cento.
Anteriormente, a Associação Económica de Macau chegou a apontar que o segundo trimestre poderia registar um crescimento do PIB anual de mais de 90 por cento ano a ano.
Estes valores representariam que a economia local teria conseguido atingir 50/60 por cento dos níveis pré-pandémicos, mas sendo necessário ter em conta uma base de comparação muito baixa, depois do impacto causada pela pandemia no ano passado.
Apesar de reconhecer que a situação externa continua complexa, com tensões geopolíticas, cortes de produção da OPEP, alta inflação e taxas de juros elevadas a colocar desafios à estabilidade financeira, a associação destacou que o impacto positivo da política económica da parte continental da China se está a tornar cada vez mais aparente.
Com o primeiro Festival Ching Ming e o feriado da Páscoa após o reinício das viagens transfronteiriças, o turismo interno e externo de Macau registou um aumento significativo.
A entrada diária de turistas durante o feriado de seis dias atingiu 80.000 pessoas, um número que deve levar a taxa de ocupação hoteleira local a se recuperar para pelo menos 80 por cento.
Ao mesmo tempo a taxa de desemprego para os residentes locais continuou a cair no período ente fevereiro a abril, atingindo os 3,6 por cento.
A força de trabalho residente em Macau totalizou 371.200 pessoas de fevereiro a abril. O total de empregos foi de 360.700 e o número de residentes empregados totalizou 282.200, um aumento de 1.400 e 1.000, respetivamente, em relação ao período anterior.
Em março deste ano a agência de notação financeira Fitch previu que a economia de Macau poderia recuperar 48 por cento este ano, com o volume de negócios dos casinos a atingir metade dos níveis pré-pandemia.
No ano passado, o PIB de Macau contraiu 26,8 por cento, sobretudo devido a uma queda de 51,4 por cento, para 42,2 mil milhões de patacas em receitas do jogo.
Segundo a agência a remoção das medidas de controlo da pandemia, a retoma de vistos para excursões de turista do interior, bem como a diminuição da escassez de mão de obra e as restrições de capacidade do lado da oferta, aumentarão significativamente os números de visitação para 2023.
“Macau está bem posicionada para captar uma forte procura reprimida por parte dos turistas do continente, dado o seu estatuto de único destino legal de turismo de jogo na Grande China e a sua proximidade geográfica com o continente. Um retorno de visitantes mais rápido do que o esperado representa um risco positivo para as perspetivas de recuperação,” a agência destacou.
Em relação ao défice do orçamento da RAEM, em março a Fitch Ratings acreditava que a RAEM iria registar em 2023 uma diminuição para 10,5 por cento do Produto Interno Bruto.
O valor representa uma melhoria nos gastos face ao ano passado, quando o défice foi de 35,5 por cento do PIB.
“Acreditamos que a força das finanças públicas de Macau continua praticamente intacta, apesar do registo deficitário pelo quarto ano consecutivo”, foi considerado. “A redução do défice para este ano vai refletir o aumento das receitas de jogo e o impacto do alívio do levantamento das medidas relacionadas com a pandemia”.
No entanto, o défice deverá manter-se mesmo por cinco anos, até 2024, altura em que a Fitch Ratings acredita que será de 1,9 por cento.
Apesar do défice, a agência manteve o ‘rating’ de Macau em ‘AA’, o terceiro nível mais elevado da escala da agência, sublinhando que é a única jurisdição a nível mundial sem qualquer dívida externa, além de contar com uma reserva financeira no valor de 559,2 mil milhões de patacas.
Mesmo assim, num despacho emitido a todos os departamentos do governo esta semana, o Chefe do Executivo de Macau, Ho Iat Seng, destacou a importância de levar em consideração se os gastos orçamentários são “obrigatórios” e “razoáveis”.
O Chefe do Executivo exortou a administração a ser cautelosa na preparação do orçamento para o ano fiscal de 2024, afirmando que Macau ainda se encontra em plena recuperação económica.