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Estudantes locais preocupados com aumento de custo de vida em Portugal

Nelson Moura

Estudantes locais continuam a receber apoio financeiro das autoridades da RAEM para estudar no ensino superior, mas revelam-se preocupados com aumento de custo de vida no país europeu. Autoridades locais garantem que valores não diminuíram depois da pandemia, e continuam a ser ajustados de acordo com a situação económica do país

Apesar de um controlo orçamental mais apertado depois dos últimos três anos de pandemia, as autoridades locais garantem que apoios fornecidos a estudantes locais para estudar no ensino superior em Portugal não sofreram cortes, e que o número de estudantes beneficiados continua a aumentar.

Well Lai, presidente da Associação dos Estudantes Luso-Macaenses (AELM) indica ao PLATAFORMA que o constante aumento de rendas em Portugal tem colocado pressão no estudantes da RAEM a estudar no país.

A estudante de Direito na Universidade Católica Portuguesa considera que os estudantes do território que cheguem a Portugal este ano poderão ter mais dificuldade em cobrir as despesas de alojamento.

O subsídio de alojamento mensal fornecido à estudante no programa de apoio das autoridades da RAEM a que concorreu chega atualmente aos 3,300 patacas, tendo dito um aumento de 300 recentemente. “Para mim é suficiente. Eu e os meus colegas recebemos bolsas e subsídios do governo para o nosso curso de licenciatura. O subsídio de renda consegue cobrir cerca de 75 por cento da nossa renda, e o governo paga as nossas propinas,” conta.

“No entanto, o esquema de bolsa em que eu participei já terminou e agora está em vigor um novo esquema para estudar na Universidade do Porto. Os modos de conceder as bolsas e subsídios já foram alterados, por isso já não sei se será suficiente para os novos estudantes macaenses no Porto.”

48,7%


Aumento da renda média em 2022 face ao mesmo período de 2021

A renda média em Portugal no fim de 2022 tinha aumentado 48,7 por cento face ao mesmo período de 2021, com Lisboa a ultrapassar pela primeira vez, a marca dos dois mil euros de renda média.

Os distritos mais caros do país são agora Lisboa, Porto, Évora, Setúbal e Madeira.

Manter o apoio

Numa resposta ao PLATAFORMA, a DSEDJ indicou que em cada ano letivo, o Fundo Educativo procede à revisão do montante das bolsas de de estudo, de acordo com a situação económica da sociedade.

De acordo com o departamento, no que toca ao programa de bolsas especiais do “Plano das bolsas de estudo para o ensino superior”, o montante mensal providenciado no ano letivo de 2019/2020 antes da pandemia era de 7,440 patacas, tendo aumentado para 7,668 patacas ano letivo de 2022/2023.

No entanto, os montantes providenciados pela DSEDJ ao PLATAFORMA incluem todas as bolsas de estudo para frequência de cursos noutros países e regiões, sem especificar o montante atribuído para estudantes locais nos ensino superior em Portugal.

As entidades que atribuem bolsas e apoios para estudantes de Macau realizarem cursos superiores em Portugal são muitas e variadas, com montantes e objetivos diferentes. Desde o ano 2004, por exemplo, a Fundação Macau, em conjunto com a Associação Promotora da Instrução Pós-secundária de Macau, implementou o Projecto de Continuação dos Estudos em Portugal dos Alunos que completam o Ensino Secundário.

Com vista a formar profissionais bilingues em chinês-português na área jurídica, o plano fornecia cerca de 65 mil patacas por ano lectivo a alunos locais beneficiando cerca de 212 alunos entre 2004 a 2019.

Ao PLATAFORMA a Fundação Macau indicou que de maneira a dar cumprimento à política de “Gestão centralizada para atribuição de apoio financeiro” do Governo da RAEM, as bolsas de estudo para alunos locais passaram para a tutela da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) a partir dos anos letivos 2022/2023, através do Fundo Educativo deste serviço.

7,440 patacas
Montante mensal providenciado no ano lectivo de 2019/2020 pelo “Plano das bolsas de estudo para o ensino superior”

Na sua resposta, a DSEDJ indicou que apesar dos últimos três anos de pandemia tem continuado a apoiar estudantes locais a tirar cursos superiores em Portugal.

“O Governo da RAEM tem vindo a implementar as linhas de acção governativa ‘Promover a prosperidade de Macau através da educação e construir Macau através da formação de talentos’, tendo criado, neste âmbito, diferentes tipos de bolsas de mérito e de estudo para apoiar e incentivar os alunos de Macau a prosseguirem os seus estudos em cursos de ensino superior,” diz o departamento.

De acordo com o departamento, o Fundo Educativo da DSEDJ criou o Plano das Bolsas de Estudo para o Ensino Superior, que disponibiliza vários tipos de bolsas, entre elas, bolsas extraordinárias que se destinam, exclusivamente, a subsidiar alunos de Macau que se desloquem a Portugal para prosseguirem estudos em cursos de língua veicular portuguesa, com vista a apoiá-los nos seus estudos em Portugal.

Por outro lado, as bolsas especiais subsidiam os alunos que prosseguem estudos nas áreas de especialização, incluindo: estudos portugueses, língua portuguesa, língua e cultura portuguesas, tradução das línguas chinesa e portuguesa ou outras áreas de especialização equivalentes, de modo a formar quadros qualificados bilingues em chinês e português para Macau.

Atualmente o número acumulado de beneficiários das duas bolsas referidas, no ano letivo de 2019/2020, foi de 215, com o número de estudantes inscritos para os anos letivos entre 2020/2021 e 2022/2023, sempre cerca de 230.

“Em paralelo, as bolsas de estudo para o ensino superior incluem também bolsas-empréstimo e bolsas de mérito. As bolsas-empréstimo destinam-se a subsidiar alunos com dificuldades económicas em que uma das condições para apreciação e autorização depende do rendimento total nos últimos 12 meses do agregado familiar do candidato,” defendeu o departamento.

“Quanto às bolsas de mérito, destinam-se a premiar alunos que tenham obtido classificações de distinção no ano lectivo anterior e têm como um dos seus factores de seleção as classificações obtidas pelos candidatos no ano lectivo anterior; caso os candidatos satisfaçam as condições podem, de acordo com as suas necessidades, apresentar os seus requerimentos, incluindo para prosseguimento de estudos em Portugal.”

O Plano de Bolsas de Estudo para o Ensino Superior, por exemplo, abrange os cursos do ensino superior, desde cursos pré-universitários até cursos de doutoramento.

Entretanto, as bolsas especiais destinam-se a formar os quadros qualificados de que Macau necessita, tendo os candidatos de frequentar cursos das áreas defnidas pelo âmbito do financiamento e as bolsas extraordinárias apoiam os estudantes de Macau no prosseguimento de estudos em Portugal.

Rumo ao Porto

O Instituto Português do Oriente (IPOR) é outra entidade que tem vindo a ajudar estudantes de português na RAEM a continuar os estudos no país europeu.

“Na verdade o IPOR coordena tem um programa tripartido protocolado com as autoridades da RAEM e com a Universidade do Porto,” diz ao PLATAFORMA, Joaquim Ramos, Presidente do IPOR.

“Este programa, que abre anualmente quase 200 vagas para alunos de Macau, tem uma oferta muito diversifcada e permite aos alunos estudarem em cursos tão distintos como Direito, Línguas Aplicadas, Economia, Medicina Dentária, Biologia, Engenharia Mecânica, Línguas e Literaturas ou Engenharia Geo-espacial, entre muitos outros”

Os candidatos, obrigatoriamente portadores de passaporte de Macau, devem ter concluído o ensino secundário com as disciplinas específicas previstas para cada curso. Devem também ter obtido aprovação no Exame Unificado de acesso ao ensino superior da RAEM.

7,668 patacas
Montante mensal providenciado no ano lectivo de 2022/2023 pelo “Plano das bolsas de estudo para o ensino superior”

“Estes alunos, uma vez seriados em função dos resultados académicos, seguem depois para um programa específco e intensivo de preparação linguística prestada por docentes do IPOR em Macau, no primeiro semestre, e da Faculdade de Letras do Porto, em Portugal, no segundo semestre, com vista a adquirirem as ferramentas necessárias à comunicação, estudo e acompanhamento das disciplinas do respetivo curso em língua portuguesa,” aponta.

“Neste momento há já um grupo de alunos a frequentar cursos de Direito, Economia ou Medicina Dentária, no âmbito deste protocolo, devendo seguir para Portugal, entre 1 e 3 de março, um segundo grupo de 15 estudantes de Macau que frequentarão a Universidade do Porto”.

Cheong Chin Iao, uma das estudantes que integra este grupo que se prepara neste ano letivo de 2023/2024, diz ao PLATAFORMA que cada aluno irá receber 120.000 patacas da DSEDJ por ano, ou 10,000 patacas por mês, para estudar em Portugal.

“Para mim não é suficiente, porque as rendas no Porto são elevadas. A nossa renda por mês chega às 5.600 patacas,” diz ao PLATAFORMA.

A estudante local comenta que anteriormente os apoios fnanceiros anuais distribuídos para alunos de Macau com intenções de estudar em Portugal podiam chegar a 200.000 patacas, mas considera-se já afortunada por ter esta oportunidade.

“Sinto-me muito feliz por ter conseguido apoio fnanceiro do governo para continuar a estudar, apesar do enorme impacto económico da pandemia,” diz.

“Acho que o Porto é um local muito bom para estudar devido às suas características culturais únicas e ritmo de vida confortável.”

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