Início » Cesta básica em Timor-Leste só chegou a metade dos beneficiários

Cesta básica em Timor-Leste só chegou a metade dos beneficiários

As autoridades timorenses distribuíram cestas básicas a menos de metade dos beneficiários previstos durante os primeiros seis meses de implementação da medida de apoio à população, que vai ser agora alargada até final de março.

Dados oficiais da aplicação do programa, a que a Lusa teve acesso, mostram que até final de dezembro só receberam a cesta básica, de alimentos e produtos de primeira necessidade, cerca de 716 mil pessoas num universo estimado de quase 1,49 milhões de beneficiários.

Globalmente foram distribuídas até final do ano passado cestas básicas a 159.969 agregados familiares (conhecidos em Timor-Leste como uma kain).

Oficialmente, a medida entrou em vigor a 04 de março, mas as duas entidades envolvidas, o Ministério do Turismo, Comércio e Indústria (MTCI) e a Secretaria de Estado das Cooperativas (Secoop), só a começaram a concretizar a 17 de junho.

Fonte ministerial confirmou à Lusa que foi já aprovada a extensão do programa de distribuição até março deste ano.

Os dados indicam que a distribuição ainda nem sequer arrancou na Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA) onde, segundo explicou à Lusa fonte envolvida no processo, ainda estão a ser selecionadas as empresas de distribuição.

Até 31 de dezembro, a implementação chegou a 239 dos 452 ‘sucos’ (divisão administrativa) do país e a 1.123 das 2.231 aldeias.

Os dados mostram que a distribuição já terminou no novo município de Ataúro, sendo o município de Ainaro o que regista menor taxa de execução, de apenas 37,66%.

Fontes do MCTI e da Secoop envolvidas no processo afirmaram à Lusa que a medida foi condicionada pela modalidade de aprovisionamento que, ao contrário da edição anterior do programa, decorrida em 2020 e 2021, exige a realização de concursos, em vez de adjudicações diretas.

Além do baixo nível de distribuição, o programa está igualmente a ser marcado por críticas, em vários pontos do país, sobre a qualidade ou o valor real dos produtos que estão a ser incluídos na cesta.

Até ao momento as autoridades já registaram um total de 16.522 reclamações.

O recurso a processos de concurso para a compra dos bens a distribuir, o critério que exige dar preferência a produtos timorenses e o facto de não ser universal, ao contrário da primeira edição, são alguns dos problemas apontados.

O programa, que tem um máximo de 5,6 milhões de dólares (5,3 milhões de euros) de custos operacionais e de implementação, não abrange famílias onde haja titulares ou ex-titulares de órgãos de soberania com pensão, titulares de cargos de direção ou chefes de departamento na função pública e cidadãos que tenham rendimentos mensais superiores a 500 dólares (473 euros).

Problemas orçamentais e atrasos na implementação já tinham condicionado a primeira edição do programa, que ficou marcado por críticas ao processo de adjudicação, pela qualidade e valor inferior de algumas das cestas distribuídas e pela aplicação, por algumas autoridades locais, de taxas indevidas aos cidadãos.

A cesta básica tem um valor máximo de 50 dólares por cada membro do agregado familiar beneficiário.

*Com Lusa

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website