A secretária-geral adjunta de Assuntos Políticos da ONU, Rosemary DiCarlo, reiterou esta terça-feira, durante uma reunião do Conselho de Segurança sobre os “referendos” de anexação na Ucrânia, o apoio das Nações Unidas à “integridade territorial da Ucrânia” dentro de suas “fronteiras reconhecidas”
“Permitam-me reiterar que as Nações Unidas seguem plenamente comprometidas com a soberania, a unidade, a independência e a integridade territorial da Ucrânia, dentro de suas fronteiras reconhecidas internacionalmente”, disse DiCarlo no início da reunião.
Em uma mensagem de vídeo gravada, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, denunciou mais uma vez o que chamou de “‘pseudo-referendos'”.
Nas regiões ucranianas de Donetsk, Kherson, Zaporizhzhia e Lugansk o “sim” para a anexação da Rússia venceu, segundo os resultados anunciados pelas autoridades pró-Rússia locais.
“O reconhecimento pela Rússia dos ‘pseudo-referendos’ como ‘normais’, a aplicação” do mesmo plano que na Crimeia, é uma nova tentativa de anexar uma parte do território ucraniano, o que significa que nós não negociamos com o atual presidente russo”, disse Zelensky.
“São uma tentativa cínica de forçar homens ucranianos dos territórios ocupados na Ucrânia a serem mobilizados com o exército russo para enviá-los para lutar contra sua pátria”, afirmou.
“Tal anexação coloca (o presidente russo, Vladimir Putin) em uma situação de isolamento contra toda a humanidade. É necessário um sinal claro de todos os países do mundo”, acrescentou o presidente.
Depois, dirigindo-se ao Conselho de Segurança, apontou: “Acredito em sua capacidade de agir”.
No entanto, com o poder de veto da Rússia, não há possibilidade de o Conselho chegar a uma posição consensual.
Caixa de Pandora
Apesar das dificuldades, Washington “colocará na mesa uma resolução condenando os falsos referendos, pedindo aos Estados-membros que não reconheçam nenhum status modificado da Ucrânia e forçando a Rússia a retirar suas tropas da Ucrânia”, disse a embaixadora americana Linda Thomas-Greenfield.
A diplomata considerou que esses “referendos” ameaçam abrir “uma caixa de Pandora impossível de fechar”.
“Se a Rússia optar por se proteger de toda responsabilidade no Conselho, buscaremos que a Assembleia Geral envie uma mensagem inequívoca a Moscou”, acrescentou.
“Tenham a coragem de apoiar a soberania e a integridade territorial da Ucrânia”, destacou.
Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, a Assembleia Geral, que reúne os 193 Estados-membros da ONU e onde nenhum país tem direito de veto, votou em março e abril diversas resoluções que condenavam Moscou.
O embaixador chinês na ONU, Zhang Jun, pediu nesta terça-feira no Conselho de Segurança que “a integridade territorial de todos os países” seja respeitada.
“A China tomou nota dos últimos desenvolvimentos na Ucrânia” e “nossa posição” é “clara e consistente: a soberania e a integridade territorial de todos os países devem ser respeitadas”, disse Zhang Jun.
A China é oficialmente neutra, mas às vezes é acusada pelo Ocidente de ser compreensiva demais com a Rússia. No entanto, autoridades americanas expressaram esperanças cautelosas após os comentários de Pequim na Assembleia Geral da ONU, na semana passada.
Principalmente depois de uma reunião entre os chefes da diplomacia chinesa e ucraniana em Nova York, na qual Wang Yi já havia pedido que “a integridade territorial de todos os países” fosse respeitada.
Entretanto, o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, assegurou que os “referendos” foram “transparentes” e denunciou a “propaganda” do Ocidente, cujo único objectivo, segundo ele, era “sangrar a Rússia” para “dobrá-la à sua vontade”.