Líderes do tribunal eleitoral e Senado insurgem-se contra “inverdades” de Bolsonaro - Plataforma Media

Líderes do tribunal eleitoral e Senado insurgem-se contra “inverdades” de Bolsonaro

Os presidentes do Supremo Tribunal Eleitoral (TSE) e do Senado insurgiram-se contra as declarações do Presidente brasileiro que lançou dúvidas sobre as urnas eletrónicas do país, a menos de três meses das eleições

“Neste dia 18 de julho diversas inverdades estão sendo mais uma vez assacadas contra a Justiça eleitoral”, disse o presidente do TSE, Edson Fachin, citado pela imprensa local, o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em reunião cerca de 40 embaixadores estrangeiros, ter voltado a lançar dúvidas em relação às urnas eletrónicas.

“Há um inaceitável negacionismo eleitoral por parte de uma personalidade pública importante dentro de um país democrático e é muito grave a acusação de fraude, de má fé, a uma instituição, sem apresentar prova alguma”, acrescentou.

Também o presidente do Senado brasileiro reagiu momentos após o termino da reunião, que contou também com a presença do embaixador de Portugal no Brasil, Luis Faro Ramos, e que foi realizada na residência presidencial e transmitida nas redes sociais pelo próprio Bolsonaro, que insistiu na sua campanha para desqualificar o sistema de votação eletrónica.

“A segurança das urnas eletrónicas e a lisura do processo eleitoral não podem mais ser colocadas em dúvida. Não há justa causa e razão para isso. Esses questionamentos são ruins para o Brasil sob todos os aspetos”, escreveu no Twitter Rodrigo Pacheco.

O Brasil a eleições em outubro e Jair Bolsonaro, que aspira a renovar o seu mandato nessas eleições, está a liderar uma campanha para desacreditar as urnas eletrónicas, que têm sido utilizadas no país desde 1996 e não foram até agora objeto de uma única queixa de fraude.

Na sua apresentação aos diplomatas, o Presidente brasileiro insistiu que as eleições de 2018 “não foram totalmente transparentes”, que a investigação do que aconteceu nesse ano “não foi concluída” e que o sistema de votação brasileiro “não é auditável”.

Citou também alegadas irregularidades em 2014, quando a então Presidente Dilma Rousseff foi reeleita por uma margem de três pontos percentuais contra o social-democrata Aécio Neves.

“Em 2014 também houve uma dúvida grave, quem ganhou as eleições? Foi também bastante curioso”, disse.

O líder brasileiro reiterou também as suas críticas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), citando que alguns dos seus membros são também membros do Supremo Tribunal e “devolveram direitos políticos” ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o favorito a vencer as eleições de outubro.

Bolsonaro também insinuou mais uma vez que alguns dos membros do sistema de justiça eleitoral e do Supremo Tribunal têm “ligações claras” com “a esquerda”.

Bolsonaro está há vários meses em guerra aberta com o TSE e mais precisamente com o seu presidente, Edson Fachin.

Nos últimos meses, tem havido um crescimento de vozes de analistas, de instituições e organizações que procuram chamar a atenção para o facto de Jair Bolsonaro estar a inflamar a base de apoio e a criar bases para ‘uma invasão do Capitólio’, como aconteceu nos Estados Unidos.

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