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Desportistas ucranianos na linha da frente

Stan Medvedenko jogou na NBA, Stan Horuna é medalha de bronze olímpica e defendem o país em Kiev e em Lviv. Os ucranianos entregam comida a quem precisa e fazem patrulhas diárias. Se for preciso, dizem ao JN, estão dispostos a matar.

Stanislav Medvedenko é um dos habitantes e, agora, defensores de Kiev que tem acordado sobressaltado nas últimas noites. Tal como acontece em quase toda a Ucrânia, também a capital já não passa pelos pingos da chuva e vai lutando e resistindo com mais força e convicção à medida que as explosões se intensificam. Ele, que é um dos desportistas mais conceituados do país que está a ser tomado de assalto pelo exército russo devido a uma longa e produtiva passagem pela NBA, vê o sono ser-lhe interrompido e, quase por instinto, remete-se a uma espécie de “bunker”, esperançosamente melhor preparado para aguentar a insanidade bélica que tem amontoado escombros e desespero por todo o país. “Temos sido bombardeados todas as noites, agora somos acordados por bombas”, relata, numa conversa com o JN. Por estes dias, a guerra, a aflição, a morte, o medo, a destruição, mas também a sobrevivência, a pátria, o futuro, o bem do próximo e a esperança não fazem distinções, a nenhum nível. Medvedenko, 42 anos, é apenas um entre os muitos desportistas e ex-desportistas que nem pensaram duas vezes antes de se juntarem à defesa da Ucrânia, pegando em armas e dispostos a matar.

Resulta que este sentido patriótico não é surpreendente. De acordo com o que Keith Gessen escreveu no “The Guardian”, foram vários os sociólogos que estudam a Ucrânia a concluir que, em caso de conflito, haveria “uma disposição bastante alta por parte dos ucranianos em lutarem pelo seu país”. Ainda assim, a realidade talvez tenha superado as expectativas mais ambiciosas. “Estamos muito unidos, todos nos ajudamos uns aos outros”, confirma Slava Madvedenko. É certo que, tendo em conta o contexto excecional, vigora uma lei marcial que obriga todos os homens entre os 18 e os 60 anos a permanecerem no país, mas, diz quem anda no terreno, a maioria fá-lo-ia em qualquer circunstância e orgulhosamente. “Temos que nos defender e defender as nossas cidades”, acrescenta. O ex-basquetebolista também anda armado, mas, para já, apenas se tem dedicado a ações mais nobres. “Estou numa unidade local de autodefesa. Ajudamos as pessoas a terem acesso a bens essenciais, como comida e medicamentos”, conta.

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