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As guerras de Putin: da Chechénia à Ucrânia

A Rússia deu hoje início a um conflito armado sem paralelo na Europa desde a II Guerra Mundial. Mas esta não é a primeira vez que o “czar” russo mostra as suas ambições bélicas, sempre com o objetivo de recuperar o controlo dos países e regiões que um dia fizeram parte do império russo e soviético.

Como explica o jornal “El País”, Putin estava apenas há três semanas no cargo de primeiro-ministro, quando deu a ordem para o exército russo atacar a Chechénia, uma região do Cáucaso então controlada por rebeldes islamistas.

1999, a guerra na Chechénia

Foi a 26 de agosto de 1999 que o ex-oficial da KGB, recém-chegado à chefia do Governo russo, ordenou um ataque à república rebelde da Chechénia, por ar e por terra. Um decisão espoletada depois de um lideres fundamentalistas muçulmanos lançarem uma ofensiva contra o vizinho Daguestão, também ele com uma população maioritariamente muçulmana. Nessa guerra sangrenta, que Putin venceu, mas à custa de enormes perdas em vidas humanas (de chechenos e de russos), Moscovo disparou mísseis contra as principais cidades do país, sem distinguir alvos civis de militares. Mais de meio ano depois do início da guerra, e depois de uma resistência tenaz e igualmente violenta, as tropas russas tomaram finalmente a capital, em fevereiro de 2000. Grozni estava praticamente destruída no final de um combate que o Kremlin definiu como uma “operação antiterrorista”. A república foi submetida pela força das armas, mas os fundamentalistas islâmicos continuaram a sua ação, atacando, inclusive na capital russa. Basta lembrar a crise dos reféns no teatro Dubrovka, em Moscovo, a 23 de outubro de 2002, tomado por 42 chechenos armados, que fizeram 850 reféns, e que terminou com a morte de pelo menos 170 pessoas.

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