ONU afirma que Portugal "nega racismo" e "romantiza passado colonial"

Peritos da ONU afirmam que Portugal “nega racismo” e “romantiza passado colonial”

Há uma “negação do racismo” em Portugal e o país continua a “romantizar o passado colonialista”. Estas são algumas das conclusões a que chegou um grupo de trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU) que veio a Portugal para avaliar a proteção dos direitos dos afrodescendentes no país.

O grupo, que está em Portugal desde 29 de novembro, a convite do Governo português, apresentou, esta segunda-feira, as primeiras recomendações, depois de ter reunido informação sobre formas de racismo, discriminação racial, xenofobia, afrofobia ou outras intolerâncias, para avaliar a situação global dos direitos humanos das pessoas com ascendência africana em Portugal.

As primeiras conclusões e algumas recomendações foram apresentadas esta segunda-feira, em Lisboa, com o Grupo de Trabalho de Peritos das Nações Unidas sobre Pessoas de Ascendência Africana a comunicar ter ficado “surpreendida com o número e a dimensão de relatos credíveis sobre brutalidade policial”.

O grupo referiu que quando a delegação tentou visitar o Bairro da Cova da Moura, na Amadora, nenhum taxista os levou até ao bairro ou foi buscar depois, estranhando esse comportamento quando constataram que se trata de uma “comunidade vibrante, onde as crianças não tinham medo de brincar na rua”.

Os especialistas em direitos humanos afirmaram-se chocados com o facto de o passado colonial de Portugal ainda estar tão presente no dia-a-dia, nomeadamente o uso de insultos racistas em espaços públicos.

Ouvida pela TSFMiriam Ariella Ekiudoko apontou a brutalidade policial como o que a mais surpreendeu na sua visita a Portugal e sublinhou a negação da existência de racismo no país.

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