Político brasileiro pede a Lula "generosidade" para desistir da disputa presidencial

Político brasileiro pede a Lula “generosidade” para desistir da disputa presidencial

O ex-candidato à Presidência brasileira Ciro Gomes pediu ao antigo chefe de Estado Lula da Silva “generosidade” para não disputar o sufrágio presidencial de 2022, em prol de uma aliança contra o atual mandatário, Jair Bolsonaro.

Ciro Gomes, que disputou a eleição presidencial brasileira de 2018, da qual Bolsonaro saiu vitorioso, sugeriu, na segunda-feira, que Lula siga o exemplo da ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, que deu um “passo para trás” e aceitou ser ‘vice’ de Alberto Fernández, atual chefe de Estado argentino, ao invés de disputar diretamente a Presidência.

“Devíamos pedir generosidade a quem já teve oportunidade, como o Lula, que é uma grande liderança brasileira. Devíamos pedir a ele que se compenetrasse e não imitasse o exemplo desastrado do [Nicolás] Maduro na Venezuela ou do Evo Morales na Bolívia, e que olhasse o que a Cristina Kirchner fez na Argentina em que, tendo uma força grande, deu um passo para trás e ajudou a Argentina a se reconciliar”, afirmou Ciro Gomes, citado pela imprensa local, num debate organizado pela Central dos Sindicatos Brasileiros.

Ciro, que já foi deputado, prefeito, governador e ministro, declarou ainda que o Brasil precisa de se “reconciliar consigo mesmo” e defendeu que Bolsonaro precisa de ser derrotado.

“Derrotar Bolsonaro é muito importante, não por ódio a ele, mas para derrotar o desastre que ele está produzindo, na saúde, na economia, na relação internacional, em que o Brasil está desmoralizado. Mas a segunda grande tarefa, mais difícil e que pede uma grande reconciliação entre todos nós, é colocar algo no lugar, nesse ambiente de terra arrasada em que nós estamos”, disse, citado pelo jornal Estadão.

O político, vinculado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), avaliou ainda que o Brasil pode enfrentar uma polarização mais forte do que aquela sentida no sufrágio de 2018, e prevê que os partidos de direita não apoiem a reeleição de Bolsonaro.

“A direita brasileira vai largar o Bolsonaro ao mar e vai tentar reciclar-se com uma carinha qualquer e vão fazer propaganda. E isso o Brasil não aguenta mais”, frisou.

Lula da Silva, que teve recentemente as suas condenações na operação Lava Jato anuladas e voltou a ser elegível, já admitiu publicamente a possibilidade de voltar a concorrer à Presidência do Brasil caso o Partido dos Trabalhadores (PT) se os seus aliados concordem.

“Quando chegar o momento de concorrer às eleições, se o meu partido (PT) e os partidos aliados entenderem que eu posso ser o candidato, se eu estiver bem, com a saúde e energia que eu tenho hoje, eu posso reassegurar que eu não vou negar essa convocação, mas eu não quero falar sobre isso”, disse Lula, no mês passado, em entrevista à rede de televisão norte-americana CNN.

Já na semana passada, seis personalidades brasileiras, vistas como possíveis candidatos às eleições presidenciais de 2022, entre elas Ciro Gomes, assinaram um manifesto em defesa da democracia no país, num movimento que foi visto como uma aliança política contra Bolsonaro, que admite recandidatar-se ao cargo presidencial.

A carta foi assinada pelos ex-candidatos à Presidência do Brasil em 2018 Ciro Gomes e João Amoêdo, pelos governadores estaduais João Doria e Eduardo Leite, pelo antigo ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e pelo apresentador televisivo Luciano Huck, todos eles vistos pelo setor político e pela imprensa brasileira como potenciais candidatos ao sufrágio presidencial do próximo ano.

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