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Irá o dinheiro em papel desaparecer?

Liu Xia Cun

O recém-publicado resumo do 14º Plano Quinquenal salienta que as moedas digitais devem ser continuamente desenvolvidas e promovidas. Irão estas moedas substituir o dinheiro físico? Qual será o futuro das moedas digitais na China? Quais as vantagens que estes meios de pagamento vão trazer? Várias figuras do mundo financeiro nacional e internacional partilham opiniões sobre a questão no âmbito da reunião anual do Fórum de Desenvolvimento da China de 2021.

Testes em curso à versão digital do RMB

Depois de Shenzhen, Suzhou e Pequim, recentemente um conjunto de residentes de Chengdu recebeu “envelopes vermelhos de RMB digitais”, num processo de distribuição que tem vindo a ser alargado a cada vez mais pessoas.

“Os atuais testes de utilização do RMB digital estão em curso”, confirmou Mu Changchun, diretor do Instituto de Moedas Digitais do Banco Popular da China, durante o fórum.

Este RMB digital é uma moeda corrente em forma digital emitida pelo Banco Popular da China, e equivalente ao tradicional numerário.

“Embora mais de 60 países estejam neste momento a experimentar moedas nacionais digitais, o programa de pagamentos digital chinês é o mais avançado entre aqueles desenvolvidos por bancos centrais”, elogiou Myron Scholes,professor na Universidade de Stanford e vencedor de um prémio Nobel de economia, um dos participantes no evento que decorreu online.

Por sua vez, Daniel H. Schulman, presidente e chefe-executivo do PayPal, assinalou que “a China é já um dos líderes no desenvolvimento de moedas digitais”.

“Os vossos testes-piloto, assim como os modelos de cooperação abertos já provaram as possibilidades ilimitadas destas moedas, especialmente o impacto positivo na criação de inclusão financeira”, salientou.

RMB Digital: maior nível de proteção de privacidade entre os novos meios de pagamento

Algumas pessoas receiam que o banco central tenha acesso aos registos de transações dos utilizadores e viole a privacidade, outros acreditam que o anonimato desta moeda irá torná-la numa ferramenta criminal.

“O RMB Digital tem o maior nível de proteção de privacidade entre os existentes meios de pagamento”, assegurou Mu Changchun, explicando que os atuais métodos de pagamento, desde cartões bancários a WeChat Pay ou Alipay, estão ligados a uma conta bancária, que necessitam de nomes verdadeiros e por isso não conseguem dar resposta à procura por um método anónimo.

“O RMB digital está ligado a uma conta bancária de forma mais livre, tornando-o tecnicamente anónimo para pequenos pagamentos”, diz.

Adianta que aquilo a que chamou “anonimidade controlável” desta moeda é uma das suas principais características. Por um lado, protege transações anónimas de quantias sensatas e a informação pessoal dos respetivos utilizadores, por outro, é claramente necessário continuar a prevenir e impedir lavagem de dinheiro, financiamento de organizações terroristas, fuga aos impostos, entre outras atividades criminosas, enquanto, paralelamente, é promovida a segurança financeira.

“Se o nível de anonimidade for demasiado alto, o RMB digital poderá ser utilizado por criminosos para transações ilegais, envolvendo pornografia, apostas e drogas. O RMB digital adota por isso o método de “pequenas transações anónimas, grandes transações identificáveis” e espera também oferecer alguma tranquilidade aos utilizadores com a possibilidade de recuperar o dinheiro de vítimas de fraude”, acrescenta Mu Changchun.

Moedas digitais de bancos centrais poderão ser o novo fenómeno global

Que outras mudanças poderão estas moedas trazer? Myron Scholes acredita que as moedas digitais vão trazer ainda mais atenção global para a moeda chinesa e facilitar a eficiência de transações transfronteiriças. A inovação no campo das finanças e comércio irá continuar a acelerar, as moedas digitais irão tornar as transações ainda mais rápidas, com métodos mais personalizados e flexíveis.

“A questão já não é se iremos ou não utilizar moedas digitais, mas sim quando. Consumidores em todo o mundo estão a adotar novos hábitos, abandonando o dinheiro físico como resultado da pandemia e várias empresas estão a criar respostas para esta nova situação”, adianta Daniel H. Schulman, que explica que o desenvolvimento das moedas digitais vai acabar por auxiliar a saúde financeira das populações e empresas de todo o mundo.

Nouriel Roubini, professor da Universidade de Nova Iorque, concorda, lembrando que, atualmente, diferentes países e regiões, como a China e a Zona Euro, estão a sofrer uma transformação e digitalização de moedas, seguindo a tendência internacional.

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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