Trabalhadores a recibos verdes, classe média habituada a viajar, profissionais de artes e espetáculos foram contagiados. Sem rendimento, não sabem como pedir ajuda.
Chegou de repente e com estrondo. Não permitiu que as famílias se preparassem, não anunciou quando iria permitir ganhar oxigénio, nem deixa perceber quando será possível respirar de alívio. A crise que a pandemia provocou contagia as famílias em Portugal há um ano e criou uma realidade que até aqui não se conhecia: há uma pobreza envergonhada que não sabe como pedir ajuda. O fim das moratórias é um dos maiores receios para os prestadores de apoios sociais, que alertam para necessidade de cautelas para não haver uma escalada dos problemas sociais.
Os primeiros casos de covid-19 registaram-se em março de 2020; a partir daí, a evolução da situação entrou em velocidade cruzeiro e o primeiro estado de emergência foi decretado a 19 de março. Até então, o país registava crescimento económico, tinha fintado o défice e melhorava nas estatísticas do emprego. O setor turismo estimava no final de fevereiro que lhe faltava cerca de 40 mil pessoas para fazer face à procura. Mas o invisível vírus que chegou da China mudou a sociedade e a economia: o PIB afundou e o desemprego subiu, apesar da almofada dos vários mecanismos públicos que o impediram de escalar para dois dígitos (como nota o líder da UGT em entrevista o Dinheiro Vivo). Os rendimentos de muitas famílias caíram e os pedidos de ajuda subiram. Não é a primeira vez que Portugal atravessa uma crise. Mas esta é diferente.
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