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Líder dissidente da RENAMO em Moçambique disponível para negociar, avança ONU

O representante do secretário-geral das Nações Unidas em Moçambique, Mirko Manzoni, disse que o líder do grupo dissidente da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), maior partido de oposição, manifestou-se disponível para negociar.

“Apesar das dificuldades para uma reunião física posso confirmar o contacto com ele e agradeço a sua disponibilidade para o diálogo e a sua proposta em enviar os seus representantes para iniciar o referido diálogo”, disse Mirko Manzoni, citado numa nota de imprensa divulgada ontem.

Em causa estão os ataques, no centro, atribuídos à autoproclamada Junta Militar da RENAMO, liderada por Mariano Nhongo, antigo dirigente de guerrilha, que exige melhores condições de reintegração e a demissão do atual presidente do partido, Ossufo Momade, acusando-o de ter desviado o processo negocial dos ideais do seu antecessor, Afonso Dhlakama, líder histórico que morreu em maio de 2018.

Na mensagem divulgada hoje, o enviado pessoal de Guterres disse que viajou para encontrar o líder da autoproclamada Junta Militar da RENAMO, Mariano Nhongo, com o objetivo de “buscar a paz na região centro de Moçambique”, reiterando que o diálogo é “o único caminho a seguir”.

“As armas não são a solução e não podem ser a língua oficial de uma nação que merece a paz”, declarou Mirko Manzoni.

Para Mirko Manzoni, a condição para o diálogo com Nhongo é o calar das armas no centro de Moçambique.

“Todos os atores devem agir no interesse exclusivo da paz”, frisou.

Falando à imprensa na sexta-feira, Mariano Nhongo disse estar disposto a negociar com o Governo moçambicano, colocando como condição um debate no parlamento sobre o suposto sequestro dos seus membros.

Mariano Nhongo acusa o Governo moçambicano e Ossufo Momade de sequestrar os membros da Junta Militar, ameaçando, por isso, declarar uma guerra.

“Se todos os deputados ouvirem isto e procurarem um dia para debater, garantindo que não haverá mais sequestros, eu vou arranjar homens e vou ter com o Governo para negociar”, afirmou o líder da autoproclamada Junta Militar.

Os ataques armados no centro de Moçambique têm afetado as províncias de Manica e Sofala e já provocaram a morte de, pelo menos, 30 pessoas desde agosto do ano passado, em estradas e povoações locais.

A Junta Militar tem contestado a liderança da RENAMO, maior partido de oposição, e o acordo de paz, sendo acusada de protagonizar ataques visando forças de segurança e civis em aldeias e nalguns troços de estradas da região centro do país.

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