Empresa portuguesa usa ozono para combater Covid-19

Empresa portuguesa usa ozono para combater Covid-19

A empresa portuguesa Safeway inventou geradores com eficácia de quase cem por cento na eliminação do vírus SARS-CoV-2. Os equipamentos, produzidos na China, estão em diversos mercados. Ao Plataforma, a companhia diz que está nos planos exportar a tecnologia para Macau.

Diogo Mocho, Tocha e José Serra perceberam cedo que a pandemia se ia alastrar e que não iria ficar confinada à China continental, quando surgiu em Wuhan. A ligação de um deles – Tocha – à China permitiu-lhes antecipar a gravidade da situação e pensar numa resposta. “Tendo em conta que todos nós temos expertise nas áreas de tecnologia, engenharia, produção de produto e criação de marca, decidimos que deveríamos e poderíamos ajudar”, afirma Diogo Mocho.

Foi assim que o trio – que já se conhecia através da sociedade de capital de risco Olisipo Way – criou a Safeway, no início do ano, e começou a desenvolver geradores de ozono e vaporizadores de água ozonizada como alternativas para eliminar o vírus SARS-CoV-2, que dá origem à doença Covid-19 (VER CAIXA). 

Ao Plataforma, o empresário Diogo Mocho diz que os equipamentos atingiram “resultados impressionantes” nos testes a que foram sujeitos em laboratório, no Centro de Testes Covid-19, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. 

“Tínhamos confiança de que estávamos a fazer tudo bem, mas quisemos recorrer a uma das universidades mais prestigiadas e pôr os nossos equipamentos à prova. O resultado de 98 por cento foi impressionante e está muito acima do de outros elementos usados para evitar o contágio, como as máscaras ou os desinfetantes líquidos”, assinala.

Mais-valias

O segredo foi usar o ozono como desinfetante, mais eficaz que os raios ultravioleta, segundo Mocho. A tecnologia, usada também para desinfetar espaços, ainda esteve em cima da mesa, mas foi afastada. “Havia desvantagens gritantes”, indica. 

Como exemplo, o empresário refere que a área que não esteja sob a incidência direta da luz ultravioleta não fica desinfetada. “A sensação de falsa segurança pode ser elevada e por isso não nos pareceu indicado”, esclarece.

Acrescenta a manutenção que exigem as lâmpadas, por se poderem fundir ou partir, e ainda a formação acrescida que é necessária para que possa ser usada em segurança. “Está provado, em diversa literatura científica, que o ozono tem resultados muito superiores na eliminação de estirpes conhecidas de vírus e de bactérias, e tem vantagens acrescidas como remover odores”, reforça.

Sobre os riscos, o fundador diz que os produtos foram desenvolvidos com base na segurança e eficácia. 

“O ozono é um gás e, como qualquer gás, é prejudicial às vias respiratórias. O que garantimos é que se forem cumpridas as indicações, não há problemas. Ainda assim, juntámo-nos à SGS, a principal empresa certificadora no mundo, para garantir que temos cursos e formações para os clientes que queiram saber mais sobre o uso dos produtos”, acrescenta.

Os equipamentos, realça o empresário, são indicados para diferentes espaços como supermercados, restaurantes, hotéis, escritórios, hospitais e também para uso doméstico. 

“Desde que se cumpram regras como a de não haver pessoas nem animais presentes aquando a desinfeção e no período posterior considerado de segurança”, ressalva.

Ligação à China

A montagem final tem lugar numa unidade em Santa Iria da Azóia, Loures, mas parte do fabrico é assegurada pela equipa sediada na China, mercado que conhecem sobretudo através de Tocha, com produção deste lado há cerca de uma década. 

“Quando se conhece bem o mercado, e era o nosso caso, conseguimos assegurar uma conceção de produto e uma escala muito eficientes. Era isso que procurávamos: garantir a máxima qualidade, e para tal temos uma equipa em Portugal que faz esse controlo; e assegurar capacidade de escala porque sabíamos que os produtos poderiam chegar a outros mercados e não queríamos ter rutura de stock ou defeitos”, refere.

A Safeway, sublinha Diogo Mocho, nasce com a ideia de internacionalização. “Sabíamos que os produtos seriam adequados a qualquer país que estivesse a sofrer com a pandemia, e que seria bem acolhido por qualquer negócio em apuros por falta de clientes e mecanismos de desinfeção”.

Canadá, Estados Unidos da América, Dubai, África do Sul, Reino Unido, Espanha, Suécia, além de Portugal, são destinos para onde exportam através de uma rede de parceiros que ajudou o grupo a posicionar-se no exterior. No caso de Portugal, contam com a Altice Empresas, que faz a distribuição nacional. Macau, salienta Mocho, faz parte dos planos. “Já houve contactos com empresas de Macau, inclusive através da Altice”, adianta.

Por agora, a empresa produz uma média mensal de mil equipamentos, mas o empresário diz que há capacidade para triplicar e chegar aos três mil por mês. 

Produtos:

Safeway Cabin
Destinado a grandes empresas, custa perto de 10 mil euros (97 mil patacas). Tem uma cabine e higieniza e desinfeta quem por lá passa. Antes é medida a temperatura e solicitada a desinfeção das mãos para maior eficácia, já que estas estão por vezes resguardadas e por isso não são desinfetadas a vapor. O processo demora 15 segundos. Em média, por minuto, desinfeta quatro pessoas através de uma micro-pulverização com água ozonizada, sem problemas para a pele e não molha a roupa. 

Safeway Tunnel
Foi concebido para espaços exteriores, hospitais, superfícies de retalho e eventos, onde haja um grande fluxo de pessoas. Consegue higienizar e desinfetar simultaneamente até três pessoas em menos de 15 segundos, e até 750 pessoas por hora. Neste aparelho, também é medida a temperatura e solicitada a desinfeção das mãos. O preço ronda os 7,5 mil euros (73 mil patacas).

Safeway Places
Com 17 cm de altura, 29 cm de comprimento e 21 cm de largura, pesa menos de quatro quilos e meio. É um gerador que atua durante o tempo necessário à eliminação do vírus no espaço em que está. Quanto maior for o espaço, mais tempo deve estar ligado. É programável e custa cerca de 400 euros (cerca de 3.800 patacas).

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