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Pandemia trava recapitalização do banco central de Cabo Verde

Lusa

A crise sanitária e económica provocada pela pandemia de covid-19 vai atrasar a implementação do plano de recapitalização do Banco de Cabo Verde, de quase 19 milhões de euros, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI)

A posição consta de um relatório do FMI à segunda avaliação à ajuda técnica, aprovada em outubro, do Instrumento de Coordenação de Políticas (PCI, na sigla em inglês), que recorda que a posição patrimonial do Banco de Cabo Verde (BCV) “deteriorou-se nos últimos anos, refletindo em parte a reavaliação dos ativos em dólares norte-americanos”.

O FMI recorda que face a este cenário, as autoridades cabo-verdianas “desenvolveram um plano de recapitalização”, em 2019, prevendo a injeção de 2,1 mil milhões de escudos (18,9 milhões de euros) ao longo de três anos, utilizando recursos do Orçamento do Estado.

Depois de a primeira parcela ter sido libertada no final de 2019, no valor de 700 milhões de escudos (6,3 milhões de euros), a crise provocada pela covid-19, segundo o FMI, deixou o plano suspenso.

“As autoridades planeiam reavaliar a libertação do saldo remanescente após a crise da saúde, quando a posição fiscal se fortalecer”, escreve o FMI, sobre os compromissos assumidos pelo Governo com aquela organização internacional.

O Governo cabo-verdiano tem avançado com várias medidas mitigadores da crise económica provocada pela pandemia de covid-19, com o BCV a assumir posição de destaque, desde logo no aumento da injeção de liquidez na banca e no processo de atribuição de moratórias a créditos bancários ou pela gestão, em mínimos históricos, das taxas de juro.

O BCV admite que a recessão esperada para 2020 no arquipélago será mais profunda, podendo atingir uma contração de 11% do Produto Interno Bruto (PIB), devido aos riscos que a economia cabo-verdiana ainda enfrenta com a pandemia.

As previsões constam do Relatório de Política Monetária, divulgado este mês pelo banco central cabo-verdiano, e apontam ainda para uma recuperação económica mais modesta em 2021, que pode ser de apenas 3% do PIB, em função dos mesmos riscos, sobretudo no atraso da retoma do turismo no arquipélago, ainda condicionada pela pandemia de covid-19.

A estimativa do BCV aponta para, no cenário base, uma recessão de 8,1%, que pode chegar aos 10,9% do PIB no cenário mais adverso, enquanto que para 2021 o crescimento poderá oscilar entre 3,0 e 5,1%.

Estas previsões contrastam com as expectativas oficiais do Governo cabo-verdiano, na proposta de Orçamento do Estado para 2021 que já admitiam uma recessão histórica, entre 6,8% e 8,5% do PIB este ano, e um crescimento económico no próximo ano de 4,5%, caso se confirme o desconfinamento internacional.

Cabo Verde depende economicamente do turismo, que representa 25% do PIB, mas o setor está parado desde 19 de março, quando foram suspensos os voos internacionais comerciais, para conter a transmissão da covid-19.

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