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Equilíbrio na balança: pesos e medidas dos Estados de Emergência

Bebiana CunhaBebiana Cunha*

A saúde, o nosso bem individual mais precioso, é afetada por consequência da forma como depredamos e devastamos todos os habitats, os ecossistemas, como exploramos os outros animais, vendendo-os em mercados, fazendo-os reproduzirem-se sem regras, num total abuso das suas vidas, com risco evidente para todos. Uma zoonose que se torna uma lição à força. Enfim, outra consciência se nos impõe, após este impacto que vivemos. 

Voltamos a discutir um novo Estado de Emergência. Lembremos o apelo da Administração do Hospital do Tâmega e Sousa: “precisamos mesmo de ajuda”. Este não é o único hospital a precisar de ajuda. Este é um apelo que reflete o resto do país. Se em março tínhamos profissionais de saúde receosos, com pouca informação mas com capacidade para responderem o melhor que sabiam e podiam, em novembro é compreensível que este receio venha  acompanhado de cansaço, de frustração, de dúvida. Estamos a falar de seres humanos com limites como todos nós, que ainda assim vão à luta todos os dias, sendo autênticos heróis de um SNS do qual nunca falámos tanto. 

Duas situações não servem claramente ao país nesta crise sanitária: o negacionismo e o pânico. Nesta fase temos, a nosso ver, um caminho a fazer: envolver todas as pessoas no processo, informar com clareza e transparência

Sabemos que a solução menos catastrófica para o momento que passamos é o controlo da epidemia que se faz, em primeiro lugar, através dos Serviços de Saúde Pública. Tivemos a oportunidade de testar e aprender com o modelo implementado na região de Lisboa e Vale do Tejo quando esteve na sua crise mais aguda, um modelo diferente, ajustado à realidade deste vírus. E aprendemos que era possível controlar a situação, agindo de forma inovadora, integrada, envolvendo as autarquias, os parceiros sociais, alocando todos os recursos necessários para uma intervenção rápida, continuada, que garantisse uma vigilância epidemiológica eficaz. Mas optou-se por não estender esta solução às outras áreas geográficas do país, onde a situação é calamitosa. E não foi por falta de informação e soluções apontadas por tantos setores. 

Duas situações não servem claramente ao país nesta crise sanitária: o negacionismo e o pânico. Nesta fase temos, a nosso ver, um caminho a fazer: envolver todas as pessoas no processo, informar com clareza e transparência. As pessoas aderem quando se sentem seguras. É preciso explicar o porquê dos cenários e também assumir responsabilidades pelo que falhou ou correu menos bem. Esta é também uma lição para a nossa democracia. 

Mas temos que manter na mira a balança, símbolo da Justiça: que as medidas e pesos propostos sejam equilibrados. Estamos num momento único das nossas vidas: equilibre-se o teletrabalho de um lado com a sua regulamentação do outro; o afastamento social com a oferta de transportes públicos seguros; a carga em saúde mental com psicólogos no SNS; as medidas sanitárias com a evidência científica. Temos que sair deste estado de desequilíbrio entre o tudo ou nada, o 8 ou 80, o pânico ou negacionismo. No meio está a virtude, já diz o ditado. 

*Deputada do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) – Portugal

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