Pais cabo-verdianos têm receio, mas defendem aulas presenciais

Covid-19: Pais cabo-verdianos têm receio, mas defendem aulas presenciais

Pais cabo-verdianos consideraram hoje um risco o regresso dos alunos às escolas na cidade da Praia, mas defenderam a necessidade do regresso às aulas presenciais, esperando a colaboração de todos os colegas e professores para ultrapassar a covid-19.

“Têm de vir para a escola. Estar parado em casa não dá”, disse à agência Lusa Keila Tavares, moradora em Tira Chapéu, e uma das primeiras mães a chegar a uma escola primária no bairro de Terra Branca para levar o filho, que vai estudar no segundo ano.

Alguns minutos depois, também Carlos Tavares deixou o filho, do 3.º ano. Defendeu que “já era tempo” de as crianças voltarem às aulas, embora admitindo que “é um risco”.

“Temos de saber conviver com ele [o vírus]. O importante é evitar que alastre ainda mais”, prosseguiu, avaliando positivamente às medidas à entrada da escola primária, com algum distanciamento, termómetro, álcool gel e todos com máscara.

E, perante a confusão à entrada da escola, disse que aprova a medida de não deixar os pais entrarem nas escolas. “Se todos os pais entrarem será uma bagunça com as crianças”, sustentou Carlos Tavares.

A cerca de 500 metros de distância, no mesmo bairro, mas noutra escola primária que faz parte do mesmo agrupamento escolar, Artur Jorge também acaba de deixar o seu filho “nas mãos de Deus”, mas garante que toma todas as medidas necessárias para prevenir a doença.

“É um bocadinho de risco, mas temos fé em Deus”, insistiu este pai, para quem já era tempo de as crianças voltarem às aulas, entendendo que as teleaulas ajudam, mas não são suficientes.

Se para muitos pais e alunos este foi um regresso, para Jorginho Semedo é uma novidade porque hoje foi o primeiro dia de aulas para o filho que vai frequentar o 1.º ano numa escola primária no bairro da Várzea.

Este pai diz que as expetativas são enormes, apesar da covid-19. “Penso que, com ajuda de todos os professores, pais e a sociedade as coisas vão melhorar”, perspetivou Jorginho Semedo, que assumiu um misto de alegria e preocupação.

“É um risco calculado e necessário. As coisas não podem parar. As crianças têm de aprender e a dinâmica tem de continuar dentro do possível”, afirmou este pai.

Jorginho Semedo referiu que nos últimos dias explicou ao filho os cuidados que deve ter, nomeadamente manter o distanciamento e usar máscara. Na escola, considerou que as medidas “são aceitáveis”, com baldes com água à entrada para lavar as mãos, álcool gel, todos com máscara e algum distanciamento.

As aulas presenciais são retomadas hoje na Praia, mas de forma faseada, devido ao fluxo dos estudantes entre as localidades e à pressão na deslocação nos transportes públicos, segundo o Ministério da Educação cabo-verdiano.

Segundo o ministério, a partir de hoje terão aulas presenciais os alunos do 1.º, 2.º, 3.º, 4º, 8.º. 11.º e 12.º anos de escolaridade, em turmas divididas em dois grupos, em que um grupo tem aulas às segundas, quartas e sextas, enquanto outro grupo vai às terças, quintas e sábados.

Por sua vez, uma semana depois vão regressar às escolas os alunos do 5.º e 6.º anos de escolaridade, para na semana seguinte serem os do 7.º, 9.º e 10.º anos.

O concelho da Praia alberga 12 agrupamentos escolares, duas escolas não agrupadas, quatro estabelecimentos de ensino privado e cooperativo, com 24.097 alunos do ensino básico e 7.978 alunos do secundário.

No dia em que não têm aulas, os alunos continuam a assistir as aulas à distância, através da recém-criada Televisão Educativa, além de conteúdos que são enviados pelos respetivos professores.

As aulas presenciais do ano letivo 2020/2021 em Cabo Verde arrancaram em 01 de outubro, com exceção da Praia, devido ao nível de transmissão da covid-19 na capital.

Em todo o país, as aulas presenciais no ano letivo anterior foram suspensas em março e não chegaram a ser retomadas, até ao mês passado, devido à pandemia de covid-19.

O concelho da Praia regista um acumulado de 5.033 casos de covid-19, com 55 óbitos, 4.592 recuperados e 388 casos ativos, tendo no domingo registado cinco casos, o menor número diário dos últimos 40 dias.

Cabo Verde tinha até domingo um acumulado de 8.848 infeções desde 19 de março, dos quais 96 óbitos, dois doentes transferidos e 8.912 casos considerados recuperados.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,2 milhões de mortos e mais de 46,4 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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