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Associação de Macau alerta para danos ambientais irreversíveis de Plano Diretor

Uma associação de Macau alertou ontem para os danos ambientais irreversíveis que o Plano Diretor pode causar ao território, a pouco menos de um mês de terminar a consulta pública.

A Associação Novo Macau apelou hoje, em conferência de imprensa, “ao público para que aproveite o tempo restante e exprima proativamente as suas opiniões antes da data limite da consulta de 02 de novembro, com o objetivo de pôr fim aos danos irreversíveis e proteger o desenvolvimento sustentável da cidade para si e para a próxima geração”.

Os problemas apontados pela associação são referentes aos três polos de Macau: a península, a ilha da Taipa e Coloane.

Em relação à península, as medidas de proteção da paisagem entre a Capela de Nossa Senhora da Penha, a ponte e a vista para o mar “são seriamente insuficientes e extremamente frágeis”, indicou o membro executivo da associação Lam Lap Lun.

Em particular, a associação denuncia que os novos edifícios a construir nesta zona são da mesma altura do cume da montanha (62,7 metros).

“Os edifícios deveriam também ser estritamente limitados à altura do edifício da Assembleia Legislativa de cerca de 10 a 20 metros para verdadeiramente proteger e moldar o nosso património histórico e cultural único e a imagem da cidade cultural costeira”, afirmou.

Além disso, nesta área da península de Macau, a associação pede mais espaços verdes, instalações culturais e recreativas e elementos de lazer comercial.

O novo Plano Diretor prevê até 2040 mais de 800 mil habitantes em Macau em 36,8 quilómetros quadrados e que a habitação deverá ocupar 22% da área total dos solos de Macau, que em 2019 recebeu quase 40 milhões de turistas e é uma das cidades mais densamente povoadas do mundo.

Se os esforços de renovação urbana vão dar prioridade às zonas densamente povoadas, o plano para os próximos 20 anos pretende, segundo o Governo, responder às atuais exigências de mobilidade dos residentes e à pressão rodoviária nas pontes e de circulação para aquela que é a fronteira mais concorrida com a China continental, as Portas do Cerco, a criação de espaços verdes e o reforço de estímulos à diversificação económica.

Na mesma conferência de imprensa, e no que à ilha da Taipa diz respeito, o vice-presidente da Associação Novo Macau Rocky Chan criticou que o “projeto apenas propõe aumentar alguns espaços públicos estreitos ao longo da costa da Nova Zona Urbana C e D, o que é muito insuficiente para fazer face ao futuro crescimento populacional da Taipa e às suas necessidades de lazer”.

Já em relação a Coloane, o vice-presidente da Associação Novo Macau e mais jovem deputado do território, Sulu Sou, lembrou que o Governo propõe “designar a maior parte das terras em Coloane como uma área não urbanizável”.

Contudo, criticou o jovem deputado, “estranhamente exclui os 56.592 metros quadrados do Alto de Coloane que o Governo recuperou com sucesso após algum trabalho árduo”.

“Como resultado, é previsível que a montanha próxima seja escavada e que a ecologia seja destruída a fim de construir habitações de baixa densidade que sirvam apenas os interesses de algumas pessoas”, denunciou.

Sulu Sou lembrou ainda que o Governo diz que o Plano Diretor ainda não foi concluído e que é só um esboço, mas que falta menos de um mês de consulta pública.

“Não podemos esperar pelo fim da consulta pública para alertar o público”, concluiu.

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